segunda-feira, janeiro 23, 2012

Marrocos: Morre Abdul Wahab, o segundo manifestante queimado no Sábado dia 21-01-2012

Rabi Abdull Wahab - Faleceu nesta Segunda.
Foi um dos que se imolaram no Sábado.
Foto cedida por "amal8fev"
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 23 de Janeiro de 2011 - 13h27min.

Rabat está tensa. Protestos dos diplomados desempregados já chegam a completar 12 meses e nada mudou, a não ser o quadro de violência e auto-imolações. Hoje pelo menos 15 manifestantes fora presos há cerca de 1:00h.  "O clamor" cita os nomes dos manifestantes Ibrahim Baros e Abdul Latif como figurando entre os detidos.

De acordo com o página "O Clamor do Povo Marroquino", que disse que as manifestações levaram às ruas estudantes da Universidade Ttoik e que os detidos estão sendo mantidos no próprio campus, por agentes à paisana. A fonte revela que houve confrontos entre os manifestantes e as forças policiais. Manifestantes da escola secundária  Ibn Khaldun na cidade Faqih Bnsaleh se armaram de paus e pedras para enfrentar a polícia.

Atualização 24 de Janeiro de 2012 - 09h35min.

O jovem Rabi Abdul Wahab faleceu nesta Segunda em consequência das pesadas queimaduras que sofreu após tentativa desesperada de amolecer a coração das autoridades marroquinas (por meio da auto-imolação) quanto ao desemprego de milhares de pessoas, de nível superior, também das que haviam sido aprovadas em concursos públicos para o Ministério da Educação e nunca foram convocadas.

Abdul Wahab e mais 2 companheiros de militância por oportunidades de emprego para todos, jogaram gasolina em seus corpos e atearam fogo durante manifestação na frente do prédio do Ministério do Trabalho, após a notícia de que um grupo de colaboradores estava levando comida para os acampados que estavam sem comida e sem bebida por vários dias, mas Wahab testemunhou, antes de falecer que a ajuda foi bloqueada pelas forças de segurança e eles ficaram sem direito de se alimentar e beber água.

Desempregada, a esposa de Abdul Wahab Zaidoun enviava mensagem
de incentivo aos manifestantes, enquanto seu marido morria no hospital.
Aborrecidos porque que não podiam trabalhar, comer e beber água, os manifestantes (que estavam em greve de fome e precisavam quebrar a greve para sobreviver) jogaram gasolina sobre seus corpos para forçar a polícia a permitir a chegada da comida que já estava em poder dos guardas. Um dos manifestantes saltou do muro para pegar o alimento na calçada, mas quando se virou, seu amigo havia se adiantado e ateado fogo em si mesmo.

Foto cedida por "Ratoune Mourade"
Mas Wahab contou que após ter jogado gasolina em seu corpo havia se esquecido quando viu sem companheiro queimando. Desesperado, ele tentou socorrê-lo quando percebeu, os dois estavam em chamas e lutavam para impedir o pior. As pessoas se desesperaram e tentaram apagar as chamas com suas jaquetas e casacos. Internados em estado grave, os manifestantes foram morrendo. No Domingo houve um óbito, na Segunda outro óbito e ainda o terceiro resiste no hospital. O povo marroquino está realmente chocado e nesta terça uma grande passeata à nível nacional deverá ser realizada pelo movimento 08 de Fevereiro, em protesto pela morte dos intelectuais desempregados.

A última lembrança de Wahab, tornou-se um símbolo da luta marroquina por uma vida melhor: Neste vídeo, o jovem intelectual cantava uma canção muçulmana numa fria madrugada, acampado na porta do Ministério do Trabalho, sem barraca, comida e água mas tomado pela força que o movia para proteger os seus amigos. Solidário, o jovem universitário queria pedir mais oportunidades. Wahab era um dos 180 aprovados em concurso público que foram excluídos da lista de aprovados "inexplicavelmente".



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