quarta-feira, janeiro 25, 2012

Marrocos: Milhares de pessoas no funeral de Wahab Zaidoun

A morte acidental de Wahab Zaidoun em consequência de ter tido seu corpo queimado no último dia 18, levou milhares de marroquinos ao funeral do intelectual desempregado, que lutava por uma oportunidade de trabalho para sí e seus companheiros.


Wahab Zaidoun no minuto que o fogo foi apagado de seu corpo.
Cortesia "Movimento 18 de Fevereiro"
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 25 de Janeiro de 2012 - 11h14min.
Atualização: 12h07min.

Rabat: Capital costeira do Marrocos - Acampado em frente do prédio do ministério do trabalho, o jovem acompanhava um grupo de manifestantes que protestavam contra o desemprego por meio de greve de fome. Mas quando a situação de saúde dos manifestantes grevistas se tornou bastante crítica, outros companheiros começaram a se mobilizar para enviar alimento e água para os acampados, mas as forças policiais se puseram no meio do caminho e confiscaram a ajuda. Isto provocou a revolta de muitos manifestantes no local, inclusive Wahab, que jogou gasolina em seu próprio corpo para apenas intimidar a polícia a entregar os alimentos para os manifestantes que já sucumbiam de fraqueza. Wahab foi imitado por outros dois companheiros de militância.

De repente um dos amigos dele decidiu acender o fogo sobre si. Desesperado, Wahab Zaidoun tentou apagar as chamas a fim de salvar o companheiro. Sua angústia era tanta que se esqueceu que também estava molhado com gasolina e ao se aproximar do companheiro, o fogo passou a lamber seu corpo encharcado com material combustível. Wahab ainda teve tempo para contar os detalhes antes de falecer.


Assista o vídeo.



 A morte de Zaidoun na terça-feira comoveu o país, levando milhares de pessoas ao entardecer em um gigantesco funeral, homenageando a coragem, solidariedade e sinceridade do amigo de todos os desempregados, excluídos e oprimidos pelas autoridades marroquinas.


Em um discurso emocionado, a senhora Zaidoun falou aos amigos sobre o incrível marido que havia perdido ontem.


Emocionalmente abalado, o país segue em crescentes manifestações pedindo pela justiça social, direitos e melhoria nas condições de vida no país. Como resposta as autoridades têm aumentado a pressão usando a força militar como forma de suprimir o diálogo e as demandas populares.

Video: Continua o velório do amado ativista marroquino, cuja morte parou o país.

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