quinta-feira, janeiro 12, 2012

China: Suicídio coletivo, desapropriações de terra, demolições forçadas - Drama nacional.

A corrupção e o abuso tomou conta do país. A anarquia desta vez não parte da população, mas do governo e empresas privadas. No dia 02 de Janeiro 2012 cerca de 150 trabalhadores (demitidos sem direitos) ameaçaram pular juntos do mais alto edifício da região.


Demolições forçadas registradas por
"Preston Rhea" (creative Commons) 
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 12 de Janeiro de 2012 - 12h33min.

A crise imobiliária na China, tem sido responsável pelo colapso iminente do dragão oriental que já está às portas. Fechado para o mundo e a mídia internacional, o país está ruindo tão rápido que mal dá tempo de anunciar. Esta catástrofe nacional vem de práticas antigas de desapropriação, e demolição forçada de propriedades para serem comercializadas pelo poder público para o setor privado.

Esta ação abusiva está bem representada na construção da aclamada "Represa das 3 Gargantas", que levou  8 milhares de pessoas a se tornarem nômades, após uma desocupação e desapropriação forçada, para que a região fosse inundada pelas águas represadas. Retiradas de suas casas, estas famílias foram re-assentadas em outras regiões e novamente retiradas, e novamente assentadas e retiradas...

Praticamente todos os escritores, jornalistas e ativistas que tentaram denunciar estes abusos, estão atrás das grades há anos. Dificilmente pegam menos de 5 anos. Muitos intelectuais tem, deixado o país, a exemplo do famoso pensador Yu Jie que se mudou para Nova York recentemente.

Na corrida que já ultrapassa dos 20 anos de desespero para a criação de cidades projetadas e quebrar recordes de mega-construções mundiais, a população chinesa tem sido extremamente sacrificada. A evolução abusiva do progresso está deixando o governo chinês tão cego que não percebe, que países que seguiram por este caminho, quase foram à falência, citando Dubai como exemplo. Prédios lindos, custo de vida insuportável e a população empobrecida se mantém bem afastada...

Wukan agora demonstra sofrer de aguda angústia e que só chegou ao ponto que está agora porque os abusos ultrapassaram os limites da suportabilidade humana, mesmo sob intimidação do exército chinês.
..E há ameças sérias de suicídio coletivo na aldeia, caso os abusos e desapropriações continuem.

No ano de 2011 o governo chinês anunciou que iria proibir definitivamente as desapropriações e demolições forçadas, mas após a publicação do decreto, brechas deixadas na lei permitiram que o abuso continuasse sem a menor dificuldade. Neste mesmo ano não só as casas e edifícios foram demolidos como também escolas. Muitas escolas e os moradores reclamam que muitos estudantes agora estão impedidos de continuar os estudos.

Na tentativa de fazer valer sua autoridade, o regime tem enviado forças policiais e máquinas de demolição para destruir as construções, mas há moradores que se mantém dentro das suas casas como protesto.

Assemelhando-se ao romance "O Exterminador do Futuro", as máquinas literalmente invadiram a China e a população tem travado uma violenta batalha contra elas, lançando coquetéis molotovs, pedras e paus, quando não se colocam entre elas e suas residências ou escolas, como se pode ver no vídeo a seguir:


A luta é muito grande e tem levado a economia chinesa para um grande buraco negro e a situação política vem se tornando um verdadeiro monstro que está para devorar o país. A crise imobiliária está tão enraizada que já até inventaram jogos para o Iphone em que uma dona de casa tenta impedir que as máquinas derrubem sua residência!

A Ong dos "Defensores dos Direitos Humanos" tem denunciado estes crimes mas parece que nada muda. Na sequência das demolições, as prisões arbitrárias e condenações abusivas. Presos de consciência que são impedidos de receber visitas, entre outras coisas muito básicas listadas no direito internacional

Foi o que aconteceu com Chen Chue Mei que foi preso por escrever em seu blog protestando contra o abuso das autoridades chinesas, contra as despropriações e demolições. Condenado a 9 anos de prisão, ainda à pena de morte e proibido de receber visitas.

"Snapshot" da matéria que mostra os trabalhadores
ameaçando saltar do prédio.
Direitos trabalhistas

A crise se agrava no trabalho. O desemprego cresce à mediada que os trabalhadores chineses não aguentam mais a exploração e encontraram no suicídio coletivo, a única forma de resolver a situação catastrófica; É o caso de milhares de trabalhadores mas posso citar o mais recente:

02 de Janeiro de 2012 - Cidade de Wuhan, na província de Hubei, cerca de 150 (Dizem 300) funcionários da Foxconn Tecnology Park, maior empresa mundial na produção de eletrônicos, decidiu saltar do mais alto edifício da região, depois que foram demitidos e seus direitos subtraídos. Irritados e se sentindo impotentes e humilhados, anunciaram que saltariam juntos em protesto contra o abuso da empresa. Esta iniciativa não foi a primeira. Na verdade em 2010 pelo menos 14 funcionário da Foxconn saltaram de edifícios em protestos aos abusos da empresa e a cumplicidade do Estado.

A Foxconn, que é sediada em Taiwan tentou negociar com os trabalhadores desesperados prometendo que se saíssem da borda do terraço do prédio, estes teriam seus empregos devolvidos ou receberiam suas indenizações. De acordo com o blog chinês "thechinahotline" citando a "WantChinaTimes" como dizendo que a maioria dos trabalhadores decidiu receber suas indenizações. Mas a tirania é muito grande naquele país. Até hoje ninguém recebeu nada e os trabalhadores re-admitidos tiveram seus contratos rescindidos logo depois. E tudo voltou a ser como antes...  De acordo com a fonte, a maioria dos trabalhadores da Foxconn se queixa das longas horas de trabalho e da descriminação.

Segundo o Jornalista Malcolm Moore, que é correspondente do "Daily Telegraph", os 150 trabalhadores faziam parte da seção de montagem do computadores Acer (depois que boatos afirmavam que eram 300 e que trabalhavam na linha de montagem do video-game Xbox 360 para a poderosa Microsoft). Ele denunciou a manipulação da informação.

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