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Jogos Mortais: Tribos arrasadas, criança queimada viva, índias estupradas e mortas e as autoridades?

O que acontece na região  Norte do Brasil, especialmente em terras maranhenses e amazônicas pouco se sabe. Não porque não ha quem anuncie, mas porque não há quem denuncie. Cercados de homens brancos protegidos por ruralistas no poder, como o Senador e ex-presidente José Sarney, os Índios e suas terras estão à mercê da corrupção e da impunidade.

Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 11 de Janeiro de 2012 - 14h47min.
Atualização 19h56min.

Dedicado a publicar notícias em favor do povo maranhense, o Jornal Vias de fato enfrenta os maiores desafios para mostrar ao mundo o que o Brasil tenta esconder. Cercados de perigos, (vindos de fora da selva) os índios estão cada vez menos isolados, tendo suas terras disputadas por poderosos fazendeiros, muitos deles protegidos por membros do atual governo.

Esta difícil luta tem levado os índios cada vez mais fundo mata à dentro enquanto grandes empresas criam formas de se chegar até seus habitats.


O Jornal disse nesta terça (10-01) que a primeira nota que publicou em 31-12-2011 a respeito de uma criança índia que foi queimada viva, ganhou o país e gerou um pequeno rebouliço, depois que o CMI (www.cimi.org.br) confirmou a publicação do "Vias de Fato". A matéria contava no dia 06-01-2012 a história com mais detalhes, com base no depoimento de líderes das tribos indígenas Guajajaras e da Terra Indígena Araribóia, que disse que uma criança da tribo Awa Guajá foi encontrada carbonizada (em Agosto) num acampamento Awa Gajá abandonado, há cerca de 20 km da Aldeia Patizal da tribo Tenetehara, na região de Arame - Maranhão.

Os sinais deixados no acampamento abandonado pelos Awa Guajá, segundo o CIMI, levantam suspeitas de um ataque ao povo indígena, instalado em região isolada, de difícil acesso, que ao fugir para dentro da floresta deixou para trás restos mortais de uma criança carbonizada (parece que haviam outros corpos). De acordo com o "Vias de Fato", que teria recebido uma chamada telefônica denunciando que os "madeireiros", fazendeiros que possuem propriedades vizinhas às terras indígenas são os principais suspeitos.

De acordo com as fontes, a tribo Awa Gajá, que não tem contato com o "homem branco" não tem sido mais vista em encontros casuais entre tribos que caçavam na região.

Os Teneteharas disseram ao CIMI que:

"...Nos últimos anos a ação de madeireiros na região tem feito com que os Awá isolados migrem do centro do território indígena para suas periferias, ficando cada vez mais expostos aos contatos violentos com a sociedade envolvente."
Até o momento da segunda publicação, nenhuma investigação havia sido levantada pela FUNAI, o órgão público responsável pelos assuntos indígenas do país. Rosimeire Diniz é a coordenadora do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e disse ao site da organização que:

“A situação é denunciada há muito tempo. Tem se tornado frequente a presença desses grupos de madeireiros colocando em risco os indígenas isolados. Nenhuma medida concreta foi tomada para proteger esses povos”,
Video: No início de Dezembro de 2011 os índios Kaiowa, Guarani e Terena, do Mato Grosso do Sul marcharam em protesto contra o genocídio indígena e pela paz.



Investigação

O "Vias de Fato" disse que:
"O Ministério Público Federal convidou o CIMI e a Comissão de Direitos Humanos da OAB do Maranhão para discutir as providências que serão tomadas no sentido de apurar o caso..."
... E que na tarde de ontem, houve uma audiência para levantar os fatos mas alertou que dois dias antes, mais precisamente no dia 08 de Janeiro, a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) no Maranhão apressou-se para concluir um relatório...

".dizendo que o caso do índio queimado em Arame “trata-se de um boato”, de “uma mentira”, de “uma notícia sem fundamento”, cuja “a motivação é eminentemente política”. Lideranças indígenas nos ligaram hoje pela manhã revoltadas com o conteúdo do relatório."
"O fato é que a história dos madeireiros na nossa região segue o mesmo roteiro e método do tráfico de drogas nos morros do Rio de Janeiro. Eles dominam pela força bruta e agem em parceria com o poder político/estatal/mafioso. Eles são violentos e circulam como se estivessem acima do bem e do mal." Declarou o jornal.
O "CIMI" citando um índio Luis Carlos Tenetehara  que disse que sempre se deparam com os madeireiros e que correm perigo:

“Não andamos livremente na mata que é nossa porque eles estão lá, retirando madeira e nos ameaçando”
Video: No dia 18 de Novembro de 2011 - divulgaram um vídeo gravado na visita dos membros do Conselho do Aty Guasu e APIB ao lugar onde aconteceu o massacre da comunidade de Guaiviry. MTS 18 - 11 -2011.


O Vias de Fato denuncia que no Maranhão, os madeireiros são facilmente encontrados dentro de áreas indígenas. Esta presença maligna é responsável pelo aliciamento de vários índios, que terminam trabalhando para eles. De acordo com a fonte, os índios são intimidados e intimados a ser coniventes com a situação sob pena de sofrer "diferentes tipos de agressões, como no caso dos Awá-Guajá."

No dia 07 de Janeiro a FUNAI finalmente se pronunciou e o "Vias de Fato" citou a instituição como dizendo:

"A Funai informou que recebeu, em novembro, uma denúncia anônima sobre assassinatos de índios na região, porém sem especificar que havia uma criança entre as vítimas. O órgão também disse que protocolou a denúncia junto à Polícia Federal e solicitou que uma investigação fosse feita"
A Delinst (Delegacia de Defesa Institucional da Polícia Federal) afirmou que até o dia 09 de Janeiro, não recebeu nenhuma denúncia formal da FUNAI e segundo a nota publicada no Jornal Vias de Fato, a Delegacia só tomou conhecimento da situação por meio das redes sociais e que decidiu buscar informações com a FUNAI por iniciativa própria que disse:
"A Funai nos informou que estava mandando uma equipe ao local e que na segunda (hoje) deveriam ter mais informações."
Mas ainda há denúncia de jovens índias sendo estupradas e mortas, e há indícios de que na tribo abandonada pelos Awa Guajá isolados, outros índios foram mortos na ocasião.

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