sexta-feira, dezembro 02, 2011

Síria: Um regime sem Governo.

Acusado pela população síria de fazer promessas desde 2000 sem que nenhuma delas fossem cumpridas até o presente momento, o regime Al-Assad, liderado pela autocracia militar herdada da Hafez Assad, que também assumiu o poder com a promessa de dar uma vida nova para o povo sírio, mas não cumpriu, se viu sem liderança. Usou seu poderio militar para garantir obediência. Mas foi assim que descobriu que nunca exerceu influência sobre o povo da Síria.


cenas do filme "Syrie, le crépuscule des Assad
Por Saulo Valley -Rio de Janeiro, 02 de Dezembro de 2011 - 13h26min.

41 anos de regime militar defendido com agressividade, violência e intolerância. Assim o clã Al-Assad se manteve no controle do mundo à sua volta. Ao partidos de oposição, foi dado o poder de não interferir, não se opor e não opinar nas decisões do regime e do comando do partido terrorista Ba'ath.

Reduzidos a meros expectadores, a população se viu escravizada, explorada e oprimida. Enquanto o regime Assad desenvolvia elevados negócios no âmbito nacional e internacional em nome da família, o povo padecia sem direitos e sem dignidade.

Inúmeras tentativas de expressar suas necessidades foram reprimidas com a força das armas do exército e das forças de segurança, altamente treinadas para exercer a crueldade sem limites.

Ilhado, o povo sírio nunca pôde fazer mais do que produzir para enriquecer o regime. O serviço Secreto foi um instrumento de controle dos atos e dos passos de cada cidadão sírio, como animais marcados com GPS de propriedade do governo.

Tentativas de revolução armadas ou pacíficas sempre foram tratadas com força extrema. Massacres eram para servir de exemplo. Uma forma comum de garantir-se no poder e mostrar para a população quem é que detinha o poder.  Cansados de tentativas frustradas e ao mesmo tempo de ficar sob pesado jugo do regime, o povo decidiu se unir. Esta unidade não foi conquistada da noite para o dia.

Anos de tentativas que resultavam em novos massacres. Anos de tentativas de diálogo que resultavam em conflitos racistas ou religiosos. Muitas das vezes as duas coisas ao mesmo tempo. O que o povo sírio demorou foi a aprender que não importava qual grupo estaria no poder, importava que o regime não poderia permanecer escravizando a Síria.

cenas do filme "Syrie, le crépuscule des Assad
Demorou a descobrir que ao invés de um país, vivia num quartel. Que ao invés de um presidente tinha um general e que ao invés de um governo tinha um estado maior e em lugar de uma constituição, um regime interno. Regras que se quebradas puníveis com a morte, que para ter seu destino mudado o povo sírio aprendeu que precisaria is mais profundo, que a mais brutal violência que um regime pudesse chegar.

Apoiados na fé e na unidade, eles saíram em defesa uns dos outros. Foi assim que para cada manifestante preso, outros milhares saíam às ruas para pedir sua libertação. Uma guerra de inteligências e de determinação. A Revolução Síria nasceu da vontade de se fazer tudo perfeito. Da vontade de se manter irrepreensível e vencer o adversário justamente por não querer cometer erros. Sem mudar de posição, mesmo sabendo usar a força e o fogo das armas, o povo da Síria se manteve desarmada à espera de ser defendida por quem tem o direito de defender: O Exército.

Esta complexa organização, obediência e subordinação não podia ser encontrada na força e sim na solidariedade. No companheirismo e no mútuo sofrimento. No compartilhar dos sonhos e na fidelidade das palavras e ações. Estas qualidades não estavam no regime. Por isto, se viu distanciado do povo e só podia controlá-lo com a força, porque para o povo sírio não havia governo.

Privilegiado com os mais elevados cargos do país o regime se sustentou e fortaleceu sua própria família, enfraquecendo as outras, sem a menor compaixão. Mas quando o povo se levantou, habilidades de governar se faziam necessárias mas não existiam, apenas o poder de esmagar e destruir.

Mesmo debaixo de fogo cerrado, sendo obrigado a se despedir rapidamente de seus familiares e amigos, o povo que se manteve na retidão mostrou mais educado, organizado e preciso que o regime, e por estas razões o próprio povo sírio se tornou seu próprio governo. Ele criou suas próprias leis de convivência, sobrevivência, comunicação, partilha, solidariedade, respeitos ás religiões, diferenças raciais, status, formação e poder aquisitivo. Ele aprendeu a respeitar os direitos uns dos outros sem que houvesse alguém para puni-los. Disciplinados se organizaram todos os dias, sob o sol, a chuva e o pesado inverno, explosivos, bombardeios e tiros aleatórios, para rejeitar serem comandados por um regime militar.

Humilhado e desmascarado o regime e seu presidente se  recolheram e deixaram seus soldados soltos pelo mundo praticando todos os crimes que desejarem até que alguém ou alguma força assuma o controle e o governo da situação e preencha a lacuna que está aberta há 40 anos no país: Um Governo verdadeiramente à altura do maravilhoso povo sírio.




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