quarta-feira, dezembro 14, 2011

Síria: "Greve não: Paralisação Geral da Vida no país". Situação dramática.


"Morrer pela liberdade é muito melhor do que viver morto sob regime Al-Assad na Síria". Estas são as palavras que brotam dos lábios do povo sírio. Seus corações feridos, tendo seu orgulho jogado ao chão, por seu presidente, agora pensa numa forma terrível de se vingar. A "Greve Geral" deveria ser chamada de "Parada Total":

"Greve não: Paralisação Geral da Vida na Síria"
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 14 de Dezembro de 2011 - 11h51min.
Atualização: 13h55min.

Vamos ser honestos? A situação humanitária na Síria nem pode ser chamada de humanitária. O nível é desumano. Alguém se importa se Al-Assad não permite que façam compras de alimentos, que não comprem remédios, nem hospitais, que não possuam carros, bicicletas ou motos para qualquer locomoção, em muitas regiões sitiadas, ou mesmo que possam sair de suas casas para visitar um parente em outra parte do mesmo bairro sem ser sequestrado, morto, preso e torturado.

Não é novidade que eles vivem sem energia elétrica, água potável, gás de cozinha, óleo diesel, combustível para seus veículos ou para gerar qualquer tipo de energia ou calor, a fim de sobreviver ao inverno. Se fosse só isto seria uma "vitória", mas ainda chuva de fogo antiaéreo, bombardeios nos sentidos verticais e horizontais, explosões de bombas caseiras em áreas residenciais, invasão de casas 3 vezes por dia, que resultam em estupros, prisões aleatórias, apropriação indevida de bens, objetos de valor, surra e humilhações.

No lado de fora, o toque de recolher de 21 horas de duração, mais prisões, conferência de identidades à cada esquina, snipers atirando em pedestres, tanques metralhando tudo aleatóriamente, e mesquitas sitiadas. Para onde ir? O que fazer?

Acordar cedo para ir trabalhar, quando se é possível... Então porque continuar dando suporte para o governo continuar matando? A solução encontrada pelo povo da Síria é literalmente suicida. Como diz a "lei de Murph: Nada é tão ruim que não possa piorar".

Unidos pela vida e pela morte, o prenúncio da nova guerra contra o sistema.
Então o povo decidiu parar o país. Parar de comprar, o pouco que lhe é permitido, parar de estocar, parar de construir, parar de trabalhar e estudar, parar de usar telefones, assistir TV, ouvir rádio, parar de abastecer, parar de fazer literalmente tudo! Como uma coletividade consegue viver assim?

Cercado de sanções, o país ainda consegue se manter e aos poucos vai criando meios de sustentação e auto-suficiência para continuar seu plano diabólico de executar lentamente a população síria, dando a ele o desprazer e o sabor da dor, da vingança, do castigo coletivo, da humilhação e do escárnio.

Me impressiona que ainda tenham forças para protestar, quando praticamente todos os recursos se encontram bloqueados ou sabotados. Os dias e as noites passam em eles permanecem protestando, sendo dizimados e protestando, sendo sublimados, e protestando, sendo massacrados e...


A exemplo do país sancionado ao extremo, as pessoas vão acabar achando um jeito de sobreviver sem o mínimo de recursos que a vida moderna oferece, afinal antigamente o mundo era povoado e a maioria dos recursos usados hoje, não existiam.

É por isto que Al-Assad e suas gangues, percorrem as fazendas e xácaras, destruindo as criações de animais, matando o cavalo, o jumento, o gado.... Tudo. Como resposta, o povo sírio também decidiu boicotar praticamente a vida, elevando a culpabilidade dos crimes cometidos na Síria até hoje, ao nível da falta de vontade política das autoridades internacionais. Na verdade o povo árabe culpa mais as autoridades árabes que estrangeiras não-árabes, porque são eles que se enrolam durante as tomadas de decisões. Falta liderança? Falta influência ou falta legitimidade?

Acima de tudo falta coragem para realizar o que não pode ser adiado. Deixar o povo sírio morrer, desestimulará as próximas revoltas e deixará registrado o alto preço da investida popular na libertação e na conversão de ditaduras em democracias.

De ontem para hoje cerca de 75 pessoas morreram. Quase metade delas morreram em Homs e Hama, que neste momento está debaixo de bombardeio por todos os lados. Com as greves gerais em andamento, devemos nos preocupar com o que restará deste povo daqui a 6 meses neste ritmo de degradação.

Abdul Hai seguia da mesquita para casa de bicicleta quando foi alvejado
por sniper. Voluntário de jaqueta tenta resgatar o corpo enquanto sniper atira.
Bairro de Byada em Homs - 14-12-2011
Se há força no mundo para deter este genocídio, porque não o faz? Esta Greve anunciada é mais uma "parada respiratória" do sistema. Uma falha na ação e reação. Por isto, diante da omissão das autoridades, que buscam apenas o lucro, fenômenos como estes surgirão. Auto-flagelo como forma jihadista de acabar com o sistema, acabando com todas as formas de subsistência do sistema. Mas Al-Assad permanece no poder... e quando sair, deixará um país impossível de ser restaurado em menos de 20 anos.

Com a falência nacional à caminho, não nos espantaremos quando o encontrarmos sentado num trono de ossos e carne humana, ao invés de um trono de ouro e tecidos caros. Quer saber? Por falta de interesse político e comercial, é mais fácil matar todo um povo que um presidente corrupto.

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