quinta-feira, dezembro 08, 2011

Síria: A dura realidade de quem vive sob o regime de Assad.

Quando Al-Assad concedeu sua "entrevista" cujas respostas previamente forjadas e decoradas foram pronunciadas sequencialmente como num jogo de memória, o presidente Sírio se mostrou preocupado de não negar a violência na Síria como fazia anteriormente, mas negar responsabilidade.

Rejeição massiva para Bashar - Cortesia:
"The Syrian Days Of Rage - English"
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 08 de Dezembro de 2011 - 07h40min.
Atualização: 09h11min.

"Mercado Árabe" Cortesia:
"Syrian Tank Wash Service"
 Uma forma de apontar o restante da equipe de governo e de responsabilizar seus próprios militares. Nas ruas o sofrimento é tão descomunal que mesmo que Al-Assad não fosse o mandante desses crimes deveria ser punido por crime de responsabilidade e por omissão de socorro ao seu povo. Ele Jamais apareceu diante das câmeras para condenar ou apontar responsáveis diretos pelos crimes correntes no país. Grupos armados? Quais grupos? Quem é o líder? Quem coordena a ação deste grupos em todo o país? Como conseguem ser tão organizados sem uma cúpula? Como conseguem matar livremente, bombardear casas, saquear casas, lojas, caminhões de carga, invadir hospitais, prender, torturar, mutilar e matar funcionários da saúde, sitiar hospitais e impedir transformar em bases militares, utilizando inclusive ambulâncias para transportar milícias... Quem tem este poder e permanece impune e invisível, indetectável?

Vídeo gravado ontem: 06/12/2011 em Bayada/Homs/Syria - O esforço para recuperar o corpo de um manifestante morto debaixo de chuva de balas, que o "cinegrafista" mal consegue escapar.


O depoimento de uma mãe síria:


Vivendo em ruínas, o povo precisa se adaptar. Improvisar comida, água, roupas e remédios. Até os hospitais são improvisados. As ruas são cercadas de destroços por todos os lados e sangue humano e lixo cobrem o asfalto. Isto não é uma via de regra. Nem todos os lugares estão assim, mas há lugares ainda piores. A crise do óleo Diesel vai além dos tanques. Vai até os oleodutos. As forças de Al-Assad estão destruindo. Atacando os oleodutos:


A explosão de oleoduto nesta quinta (08-12-2011) tem outro efeito colateral: As residências vizinhas são afetadas e mais uma vez, o povo sírio é quem paga o preço:


Há quem se esforce para superar a crise e dizer não às forças de opressão, mas elas são demais poderosas. (Se o próprio presidente da república não pode contê-los, quem poderá?) A situação exige submissão como única alternativa para sobreviver com muitas sequelas, mas o povo sírio tem uma forte e arrojada personalidade. Eles não poderiam simplesmente se calar, e para todos os que decidem se voltar contra o "reino", o castigo será o mais suave dos destinos. Video: Agentes de segurança desistem de atacar a população e são castigados pelo exército.


Soldado dissidente executado em Homs
e jogado no lixo.
Soldados do exército que desistem de atirar em civis, são mortos pelas costas por mercenários do Hezbollah e da Guarda Republicana Iraniana posicionados sempre atrás da primeira linha, justamente para garantir que as ordens serão cumpridas.

Um completo caos. Uma vida levada em um nível de estresse além do imaginável. Quem poderá se responsabilizar por esta tragédia nacional?  Quem poderá ser punido com as leis internacionais, ao invés de acordos chapiscados de concessões, impunidade e imunidades?




Família procurando se alimentar em Al-Houle em Homs
"Snapshot
Pior que na foto do dissidente ao lado, a população síria encontra restos mortais por onde passa. Pedaços de corpos humanos, corpos carbonizados ou massas cefálicas e sangue. Isto já é mais que uma rotina: É uma realidade síria. Não seria agradável expor estes vídeos aqui, mas podem ser encontrados no Youtube, mesmo que sejam protegidos por alertas de alto grau de violência e sangue. O pior ainda vem agora: O elevado volume de fotos e vídeos sangrentos, que causaram repugnância na audiência do Youtube e nas autoridades internacionais, não representam mais que 10% da realidade que a população síria está vivendo hoje.  Atrocidades que não se pode contar nem mostrar. Então, Al-Assad abre a janela de seu palácio, respira fundo e diz: "Lindo dia para mais uma entrevista!" O site sírio "sooryoon" publicou uma matéria nesta quinta com o seguinte título:
"Texto completo da entrevista do presidente Bashar al-Assad do regime sírio revela sua estupidez e loucura ..."

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