segunda-feira, dezembro 05, 2011

Síria bloqueia estradas de acesso à Turquia - Atualizações

A Síria está se preparando para a intervenção. Está se armando e construindo bases e trincheiras. Criando ferramentas que gerem confusão de informação ao inimigo e sitiando ainda mais as cidades.


Video: Obra de destruição e interdição do acesso da estrada para Turquia na região de Aleppo.

Por Saulo Valley, Rio de Janeiro, 05 de Dezembro de 2011 - 08h49min.

Empurrados para a guerra pela falta de opção depois de 9 meses morrendo enquanto pedem ajuda internacional, a população síria está se cansando de se entregar para o sacrifício como ovelhas mudas no matadouro. Enquanto isto as autoridades internacionais continuam estendendo as negociações e os prazos,  para Al-Assad, que procura ganhar tempo para que seu novo sistema de defesa anti-mísseis e sistema de bloqueio de internet e vigilância de comunicações fiquem prontos.

Enquanto novas estruturas de capitalização são erguidas com a ajuda do Irã, que se promove como mestre em sobreviver debaixo de sanções em 23 anos de larga experiência.

Menina desolada com o sequestro de seu pai se seu avô pelas forças sírias.
Enquanto os Conselhos Internacionais nada fazem, e não criam nenhuma ação que seja imediata, a crise na Síria vai ganhando profundidade e novos rumos. Parte das cidades já não acreditam mais na ajuda internacional, e irritadas, sofrendo chuvas de balas dos bombardeios do exército sírio, famílias inteiras presas, crianças, jovens e adultos do sexo feminino sofrendo estupro diáriamente, estupros em massa e fuzilamento de pedestres. Estradas internacionais interditadas e uso de aeronaves para metralhar os manifestantes. Uma crise de completa ineficiência do sistema e de suas leis e procedimentos que não se adequam aos interesses de proteção de populações indefesas.

Desesperados, os jovens estão tendo vendo a formação de exércitos de civis como única alternativa para proteger seus familiares. Podem acabar aceitando alianças com grupos religiosos e terroristas ou com qualquer outra coisa que lhes ofereçam a oportunidade de dar fim a esta tragédia nacional. A ajuda internacional já está atrasada 2 meses e a população não está conseguindo suportar mais. Agora não é mais uma questão de ética ou de moral, o que acontecer na Síria daqui para frente será por culpa dos embaraços políticos e dos conflitos de interesses dos países. Como disse o Embaixador de Teerã em Beirute Qazanfar Roknabadi:

"Nós, como país, temos experimentado todas as fases há 23 anos e chegamos à conclusão de que esses métodos de sanções são vencidos e não afetarão a qualquer país do mundo."
Enquanto a Liga Árabe, a União Européia, o Conselho do Golfo e outros países estudam novas sanções, como o povo sírio fará? Estudará uma nova maneira de ser alvejado todos os dias com tiros de .50 na cabeça? Até onde durará esta persistência nas sanções?

Lembrando que em 1982, o massacre sírio em que Hafez Assad matou cerca de 45 mil manifestantes nas cidades de Homs e Hama, ele foi apenas, advertido, sancionado e seu nome foi indicado para o TPI. Mesmo assim, se manteve no poder depois que matou 100% das pessoas que queriam o fim do seu regime. Morreu em 2000 por alegada enfermidade ou suicídio... O detalhe que estas informações já estão na mente de Al-Assad e ele é testemunha ocular de que sanções e alertas diplomáticos não passam de "engana-trouxa".

Realidade síria hoje:

Uma ativista me enviou uma resposta a respeito deste assunto há alguns minutos:

"A revolução não está dividida.Apenas existem diferentes grupos se unindo para lutar contra as forças de segurança locais. O objetivo é um só: Derrubar o regime de Assad. O problema é geográfico. A província está dividida em cidades e aldeias. Todos eles estão isolados. As estradas de acesso foram bloqueadas apenas para evitar que os revolucionários possam se unir e lutar contra os soldados sírios. É por isso que matam os burros e queimam as motos e bicicletas. As aldeias são totalmente nas mãos do segurança. Muitas das vezes o número de soldados excede o número de habitantes (entre os quais há muitas crianças). Cada pequena cidade tenta criar grupos de combate e defesa. Hama e Homs, como muitas cidades (incluindo a província) são focos de protesto para que o regime se concentra com mais forças. Infelizmente, pensamos em um faroeste. Temos estradas e estradas que não estão em condições diferentes da cidade. Além disso, nós não nos identificamos com a gente para a dependência de grupos religiosos. O mundo árabe é uma bagunça para nós, porque os árabes não são homogêneos."
Video: Estrada interditada em Aleppo pelos manifestantes para atrasar os tanques sírios.


Qual será a solução imediata para que este problema seja resolvido? Acham que mais sanções ajudariam a resolver o problema? A crise está para além das sanções. Precisamos de algo mais sólido!


Assistam este vídeo e me respondam: Como sobreviver em situações como esta, enquanto se aguarda as sanções afetarem ao regime que recebe ajuda estrangeira sem segredo?


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