quarta-feira, dezembro 21, 2011

China: Wukan e "O abraço da Serpente".

O governo chinês tornou publico seu profundo interesse em resolver a crise na aldeia de Wukan, devolver as terras roubadas dos agricultores por funcionários e esquemas fraudulentos com um discurso empolgante. Na prática, um gigantesco esquema está em andamento para que com um só golpe, toda a rebelião popular pacífica seja silenciada de modo também pacífico ou não.

Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 21 de Dezembro de 2011 - 14h55min.

Até ontem o governo chinês decidiu ouvir as reclamações da comunidade e investigar a corrupção generalizada do governo local. As pessoas do mundo inteiro disseram: "O povo venceu!"...

É bem verdade que os sinais dos tempos ainda estão visíveis, pois tudo o que o regime traiçoeiro está fazendo é dar corda, ceder, para as pessoas relaxarem e caírem voluntariamente nas armadilhas que estão sendo preparadas. Neste meio-tempo o controle tem se tornado cada vez mais intenso e o regime esta utilizando os acontecimentos em Wukan para estudar seus próprios pontos fracos, para então fechar o cerco.

Hoje a situação já dá sinais de tempos antigos voltando a se repetir. Inicialmente o governo chinês havia concordado com a população de Wukan em atender as seguintes demandas
  1. A liberação do corpo do manifestante Xue Jimbo, morto na delegacia local e a soltura dos ativistas Zhuanglie Hong, Hong Rui Chao, Zhang City.
  2. A liberação das terras e o fim do isolamento da Aldeia.
  3. O reconhecimento do Conselho popular provisório e a retirada de todas as acusações.


De acordo com Chai ziwen, editor do jornal local "Sinais dos Tempos", estava marcada uma reunião com as autoridades juntamente com este novo conselho (que foi formado por causa da decisão de dissolução de todo o governo local), nomeado pela opinião popular como seu representante legal. Mas de surpresa, o político Tsu Luang acabou indo sozinho, sem acompanhamento da população e demais membros do "conselho provisório". Os jornalistas e a mídia foram impedidos de cobrir o encontro, Outras fontes afirmaram que não há o menor registro do encontro, que aconteceu à portas fechadas. Nem mesmo resgistro escrito. Nada. No fim da reunião, Tsu Luang sozinho deu uma entrevista coletiva à imprensa.

Regimes tradicionais asiáticos e árabes nunca alimentaram tolerância para com rebeldes e motins. A primeira reação destas ditaduras é sempre executar o líder, ou a organização. Em seguida cortam os recursos até que os populares morram de fome em locais isolados, como masmorras, e bloqueios militares à cidades, vilas e aldeias. Após o castigos coletivo cumprido, espalha-se o medo e o terror pelo restante do país, para servir de exemplo.

Chai ziwen também citando o jornal chinês "Ming Pao Daily News": que disse que o Sr Wong Lufeng, do Gabinete de Informação da Cidade teria negado categoricamente que a cidade estava com os acessos bloqueados, alegando que o fato de militares estarem no local não significa que haja impedimento do direito de "ir e vir" dos moradores. Mas como foi publicado por "Saulo Valley", os postos de conferência foram instalados nos acessos da vila e moradores comprovaram a olho nu, a implantação de mais de 20 veículos blindados, além das tropas.

O "Ming Pao Daily" por sua vez disse que na noite de ontem (20/12) as forças policiais foram retiradas da aldeia, bem como as barricadas militares removidas e os bloqueios. Citou também uma lista de 22 funcionários do governo que estão sob suposta investigação de corrupção financeira. O Jornal disse que quase todos os moradores e jornalistas de Wukan receberam uma mensagem em SMS contendo um resumo do discurso de Zhu Mingguo Lufeng, representante do Comitê Principal que teria garantido que as tropas serão retiradas e devolvido o direito de movimento dos aldeões e disse também que "os agressores e bandalheiros não serão penalizados".

Enquanto a população se preparava para as manifestações populares desta quinta, inclusive com funerais simbólicos, o Jornal Ming Pao disse que as pessoas não estão seguras, pois estão percebendo a chegada de agentes à paisana para se infiltrar no meio da população e há relatos de tentativa de suborno de populares.

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