quinta-feira, dezembro 22, 2011

CHINA: Dias de apreensão. O medo impera em Wukan.



Wukan é uma aldeia formada basicamente por pescadores e agricultores. Famílias com tradições fortes. Depois de 20 anos sofrendo cruel abuso de autoridade, tendo suas terras tomadas sem o menor aviso, acabaram explodindo em forma de protestos, mas o silêncio das autoridades assusta.

Por Saulo Valley - 22 de Dezembro de 2011 - 08h23min.
Atualização 10h27min.

Após a reunião com as autoridades em Wukan, a delegacia local ficou fechada e os portões foram "lacrados" simbolicamente com fotos de Xue Jimbo, o líder ativista morto na mesma delegacia. Após o anúncio das autoridades provincianas de Guangdong de que o pedido da comunidade seria atendido e que 404 hectares de terra seriam devolvidos etc etc etc... nada mais aconteceu. Aos poucos a aldeia foi ficando deserta e os jornalistas se despedindo. Tudo porque em virtude da promessa de cumprimento das exigências de Wukan, as manifestações estariam suspensas. E todos ficaram simplesmente aguardando, o que não pareceu funcionar. O blogueiro e analista político e econômico que na web usa o apelido de "Mr. Lau" descreveu a situação de Wukan de modo bem apropriado. Ele disse que com medo da revolta popular, os funcionários públicos e policiais fugiram da aldeia. Delegacia e uma sub-prefeitura completamente desertas:
Foto enviada por moradores
ao jornalista Malcom More

"A polícia tem medo da explosão de movimento de massas,  fugiram deixando documentos e outros itens e nem tiveram tempo para arrumar as malas. Os edifícios de escritórios do governo da vila, agora estão vazios, selados pelos moradores.
Mr Lau lembrou que as pessoas do vilarejo se organizaram ao ponto de ocupar o "vácuo de poder", com a fuga das autoridades governamentais constituídas. Isto foi feito por meio de eleições populares resultando na formação do Conselho provisório de Wukan.

Quem disse que a pequena aldeia de arrozais conseguiu dormir nestes dois dias passados? O ativista "BleuTea" escreveu em seu twitter que "Wukan está embaixo da mesa" e que não acredita no compromisso do governo para as negociações com a aldeia e que vá manter o acordo firmado.



O Jornalista Liu Shui observa que o acordo foi verbal e que não há nada escrito, gravado ou testemunhado.

De acordo com a ativista localizada em Pequim Rachel Beitarie, disse que moradores informaram, por telefone que até agora os corpos dos 2 ativistas mortos não foram devolvidos e dos 3 manifestantes presos, um deles Zhang Jianchen foi libertado na manhã de hoje (22/12).

Ansiosa e desconfiada a população de Wukan aguarda o cumprimento do acordo verbal por parte das autoridades.

A maioria da população de Wukan tem pouco o praticamente nenhum estudo. Mesmo assim, a maioria dos sábios e especialistas em política, direitos humanos e economia chineses, considera que este povo teve uma reação sem precedentes na história do país.

De acordo com o site "mcclatchydc", o secretário Partido Comunista (o único partido no poder) teria reclamado da dificuldade de dialogar com a população de Wukan. A população reclama que os roubos de terras vem acontecendo nos últimos 20 anos.

O que se fala por toda a aldeia é que há a forte sensação de que as coisas voltarão ao estágio inicial, e tudo será mantido como antes. Este medo é generalizado.

Em entrevista ao NTD Television, um morador disse que espera que as autoridades compram o acordo, caso não cumpram, voltarão a protestar. A fonte disse que as manifestações estão suspensas até novas surgirem diretrizes. A população removeu os obstáculos das estradas de acesso e a fonte afirmou ainda que as forças policiais recuaram. confira no vídeo a seguir:



Correção: A marcha que levou a população de Wukan a Lufeng aconteceu em 21/11/2011, e não na data de ontem (21/12/2011). Pedimos desculpas pelo ruído na informação. referência: "voanews"

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