segunda-feira, novembro 21, 2011

Oriente Médio: A exposição de Alia Magda al-Mehdi lidera uma revolução contra ditaduras.

Os eventos que têm se seguido no Egito são consequências de uma luta pela liberdade mal finalizada. Aliaa Magda Mahdi é apenas a cobiçada cereja do bolo. A revolta do povo egípcio e um novo governo com velhas estruturas são os principais ingredientes do bolo que está crescendo e pode transbordar.

Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 21 de Novembro de 2011 - 07h17min.
11h26min.

Alia Magda e Kareem Ameer - Exposição contra velha opressão.
Com o passar dos dias, novas revelações vão surgindo envolvendo Alia Magda, seu namorado  Kareem Ameer e o Egito e a comunidade árabe. O primeiro detalhe é que ambos são ativistas políticos. 

Alia Magda Mehdi segue pelo caminho do ativismo feminista. dois dias depois da explosão de seu blog com suas fotos nuas iniciou-se uma campanha árabe pela revolução feminina contra uma série de regras impostas pela religião islâmica ao sexo feminino.

Ativistas sociais israelenses em suas páginas de Facebook iniciaram uma campanha para que as mulheres comecem a publicar suas fotos nuas em defesa de Alia Mehdi. Segundo o site israelense "ynet" cerca de 40 mulheres israelenses concordaram em participar da campanha pela libertação da mulher árabe. 

Foto: Anat Cohen - 19-11-2011

Na Sexta (19-11) Estas mulheres se reuniram em uma casa para a composição de uma foto onde suas partes íntimas estavam atrás de uma faixa que em árabe dizia: "Amor Sem Fronteiras" e em Inglês: "Em Honra de Alia Mehdi de suas irmãs em Israel".

Algmas fontes citaram a terrível crise que as mulheres egípcias atravessaram durante o regime de Mubbarak. De acordo ainda com o "ynet", as mulheres do Nilo tiveram todos os seus direitos cassados. Todas as organizações de direitos das mulheres foram castradas, e a fonte cita o nome de Suzanne Mubbarak como sendo uma grande defensora dos direitos destas mulheres, mas que enfrentavam forte e esmagadora repressão por parte de grupos islâmicos.

A fonte conta ainda que há muitas pessoas que se associam a grupos islâmicos só para terem mais liberdade de se socializar e se organizar, para reunir pessoas que queiram lutar pelos mesmos direitos, na internet.

A fonte denuncia que se as mulheres passarem a ter seus direitos respeitados, políticamente se tornariam maioria no congresso. O dobro de mulheres em relação aos homens. Um especialista revelou que há pessoas e grupos egípcios que afirmam: "Não há honra em dar direitos às mulheres".

Em sua página de Facebook Alia Mehdi protestou contra o obrigatoriedade do uso do véu, dizendo que se o uso do véu é tão bom assim que deve ser obrigatório para o sexo masculino também!

Discussão aquecida e leis islâmicas em xeque no mundo árabe, enquanto o volume de acessos diários do Blog de Alia Magda dobrou em 3 dias chegando a mais de 3,7 Milhões em uma semana.
O que motivou a centenas de mulheres israelenses a apoiar Alia Mehdi foi o volume de ameças de morte que a jovem vem recebendo desde que lançou seu Blog há uma semana. Xingamentos e ofensas além de perseguição, proibição de suas páginas e sérias ameaças que partem do regime militar de transição até as comunidades islâmicas.

Israel apresenta elevado grau de apoio a Alia Magda e as mulheres vão se unindo de forma a demonstrar que estão esgotadas de viver sob pesado jugo islâmico de regras machistas. Estes acontecimentos são ainda apoiados por crescentes adeptos ao movimento global pelo secularismo. Há sérios riscos desta ser a próxima fase do mundo árabe. Rejeição ao islamismo cresce em pelo menos 50% nestes dias conturbados.

Enquanto que muitos líderes árabes acusam os países ocidentais de manipulação destes resultados por meio da mídia e da internet, o que é muito mais fácil de se fazer, do que buscar dar direitos a quem tem direitos.

Mas a crescente rejeição ao regime islâmico cresce em função à rejeição aos velhos moldes de governo e de religião que, principalmente não conseguem se adequar à realidade da liberdade e garantia dos direitos humanos. Em consequência regimes militares e reinados estão sériamente com os dias contados, a não ser que se transformem em monarquias aos moldes europeus, que ainda podem durar mais algumas décadas...

Kareem Ameer

Kareem vem com graves denúncias contra o movimento 06 de Abril e crimes de massacre realizados por militares atualmente no poder. Também  tem se dedicado a campanhas anti-maçonaria e islamismo, diz uma fonte.

Vídeo gravado neste Domingo (20-11-2011) das forças de segurança atirando para matar um grupo de manifestantes.


A volta dos protestos

Todos se lembram que Mubbarak foi um dos ditadores mais fáceis de se vencer pela revolução popular árabe. Na maioria destes casos, quando o líder renuncia, deixa uma infra-estrutura para continue "mamando nas tetas" do novo governo. Inicialmente novos governos acabam sendo liderados e compostos por velhas figuras marcadas e desbotadas que defendem os mesmos interesses do velho governo, mas procuram agir longe dos holofotes, e no submundo político dão prosseguimento a velhos esquemas atualizados de enriquecimento ilícito, monopólio e manipulação.

O governo transitório egípcio é ainda controlado por militares, que têm impostos duras regras para manter o controle do povo que tem ansiedade para viver dias de paz, tranquilidade e liberdade. Mas este processo pode não ser tão simples, quando se confia um novo governo a uma velha e viciada estrutura.


Alguns pesquisadores árabes acreditam que a revolução árabe não passa de golpes de estado para pôr grupos islâmicos no poder. Mas a exploração da força, da coragem e da vida da população não deverá servir para levar a opressão machista ao poder novamente. É por esta razão que o povo está mais antenado com os acontecimentos, sempre pronto para mais uma rodada de revolta popular até que suas verdadeiras demandas sejam atendidas e suas vidas alcancem um equilíbrio em relação aos direitos humanos no Ocidente. Esta é realmente a parte mais difícil, pois os direitos humanos árabes ainda estão nos mesmo patamar que na idade média.

Uma revolução infraestrutural radical de gigantescas proporções que não se pode dizer que acontecerá da noite para o dia, mas que se depender da população árabe, ela já está pronta para o processo de transição. A resistência ainda está nas pessoas que estão no poder. É difícil ter que abrir mão do que não lhe pertence mas esteve em seu poder por toda a vida. Mais difícil ainda é ter que dar conta de tudo o que explorou nas últimas décadas.

Atualização: Em 3 dias 35 pessoas morreram e 676 manifestantes ficaram feridos nos novos confrontos com as forças de segurança. Eles exigem a transferência imediata do governo que está em poderio militar para sociedade civil.


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