domingo, novembro 20, 2011

Síria: Al-Assad diz que "não vai ceder" e a violência só cresce.

A violência na Síria ganhou um novo patamar. Desde que a Liga Árabe iniciou seus esforços para controlar a crise na República Árabe da Síria que o grau de violência no país chegou a níveis muitas vezes mais elevados do que era de costume. Enquanto Al-Assad se faz de vítima, autoriza ataques monstruosos contra a população síria.

"Liga Árabe: Você está esperando que Al-Assad nos extermine?"
Cortesia: "Revolução Síria na América"

Por Saulo Valley -Rio de Janeiro, 20 de Novembro de 2011 - 08h55min.

Disposto a comprometer a paz em todo o Oriente Médio e o mundo, Bashar Al-Assad desafia o indesafiável. Sem infra-estrutura para vencer o exército de desertores que cresce e se levanta contra ele dia-após-dia, Al-Assad tem se garantido nos seus aliados para desafiar a comunidade árabe e o ocidente.

Seguindo os mesmos passos de Muammar Kaddafi o presidente sírio perde o apoio (aparentemente) de muitos aliados e vai enfraquecendo, ao mesmo tempo busca levar o seu país à desgraça total.

Na sexta-feira dia 18 denunciamos que as forças de segurança da Síria  estavam portando listas de nomes de dezenas de ativistas políticos e de direitos humanos para efetuarem prisões e execuções. Ontem o ativista Yahya Ejreban Farzat foi preso e torturado bárbaramente. Enquanto era mutilado, teve seu olho arrancado enquanto agentes de segurança gravavam vídeos.

Hoje o CCLSy disse que neste sábado em Hama mais de 300 tanques invadiram a cidade impetrando pesado ataque com invasões nas residências em número de soldados por residências jamais visto. As regiões de Halfaya, Shaizar, Treimseh e Khnezeer foram as mais atingidas por violenta repressão. A Coordenação disse que com a invasão militar em Hama um grande número de famílias fugiu em busca de áreas mais seguras dentro da Síria. Em Halfaya pelo menos 300 pessoas foram presas e há muitos relatos de corpos de pessoas que haviam sido presas nesta semana estarem surgindo pelas cidades sírias.

Vídeo: Nas ruas, jovens corajosos desafiam as forças pró-assad que lutam para silenciar a população que pede a qualquer custo o fim do regime de Al-Assad.


Autoridades internacionais e importantes agências de notícias expressam temor de uma guerra civil ou de uma guerra sectária. Apesar do esforço da Revolução Síria de manter o objetivo de uma revolução pacífica até o fim em rejeição às histórias de fracasso das tentativas anteriores que foram em sua maioria armadas e lideradas por grupos islâmicos radicais ou grupos tribais que defendiam interesses próprios, o que fez com que milhares de pessoas fossem mortas em troca de do regime Al-Assad ter permanecido no poder até os dias de hoje.

A novidade do dia fica por conta da entrevista do ditador Bashar Al-Assad para a Agência Sunday Times dizendo que os confrontos vão continuar, dizendo que a "Síria não vai ceder!".

A Liga Árabe disse neste Domingo que o Conselho de Ministros rejeitou (por uma maioria) o pedido de re-edição do plano de distribuição das tarefas para os observadores, pedido por Al-Assad. Segundo o Dr. Nabil Al-Arabi, Secretário-Geral da Liga Árabe,  o Ministério das relações Exteriores da Síria havia enviado um pedido com 18 modificações a serem feitas no plano original de implantação de observadores. Fontes diplomáticas que tiveram acesso ao documento comentaram com repórteres da Reuters que entre as modificações, Al-Assad queria que os Hospitais, as prisões e as escolas não fossem assistidos pelos observadores internacionais, alegando "problemas internos a serem solucionados pelo regime". A Liga ainda afirmou neste Domingo que a Síria pretendia estender o prazo de cumprimento das tarefas impostas pelo Conselho, mas o Dr. Nabil disse em nome da Liga que o prazo de 3 dias para implementação das mudanças e exigências do Conselho são "inegociáveis" e que:

"As alterações e aditamentos propostos pelo lado sírio, afetam a essência do documento e alteram radicalmente a natureza da tarefa da missão específica de verificação do plano árabe para resolver a crise, e fornecer proteção para os civis sírios." 
De olho na próxima determinação da Liga Árabe (que deverá sair neste domingo dia 20-11) o mundo parece estar em suspense. Mas a violência não pára. Não há como parar, até que alguém determine que os tanques sejam recolhidos imediatamente.

Crescimento dos Dissidentes

Em operações de guerrilha cada vez mais ousadas e avançadas, os dissidentes, que nesta semana atacaram o prédio da inteligência Síria, realizaram um novo ataque a mais um símbolo do regime sírio. De acordo com "Aleqt" que disse que utilizando foguetes, os rebeldes atacaram o prédio do partido Ba'ath em Damasco.


Testemunhas oculares em depoimentos para o Aleqt disseram que as forças de segurança cercaram o prédio e isolaram a área, mas que mesmo assim, uma negra coluna de fumaça pode ser vista saindo do prédio central de comando do Partido. O "Aleqt" disse ainda em outra reportagem que ontem pelo menos 17 pessoas foram mortas num dia de muitos confrontos e feridos.

Desenfreadas e constantes deserções têm levado ao surgimento de inúmeros novos batalhões que vão se agrupando e se anexando ao Exército Livre, o exército formado por dissidentes do exército regular, mas que já conta com a adesão de estrangeiros voluntários e jovens civis. Os vídeos à seguir são uma pequena amostra da quantidade de deserções registradas só ontem:



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