terça-feira, novembro 01, 2011

Moscow retirará veto contra resolução da ONU sobre a Síria?

O prazo da Rússia era até o fim do mês para que Al-Assad entrasse em entendimento com a população e atendesse as suas exigências, que na verdade não eram muitas. Ele atraiu para si um monte de autoridades e organizações para que uma ação invalidasse a outra, mas desta vez, Al-Assad não é mais o protegido de Medvedev que está pedindo às Nações Unidas que pare imediatamente o massacre.

Kremilin -"anasiantraveler" - Creative Common
Por Saulo Valley -Rio de Janeiro, 01 de Novembro de 2011 - 15h59min.

As Nações Unidas já haviam anunciado ontem que retornariam a discussão para impedir que mais outros milhares de pessoas sejam mortas por Al-Assad. Então agora a situação é realmente séria.

Tudo isto veio à tona pelos dois motivos que foram publicados no último artigo deste Observador.  Aliados a estes motivos, as mortes só aumentaram. Assad hoje volta a pedir mais tempo e suas tropas matam mais.

Ontem pelo menos 30 soldados pró-assad e dissidentes morreram no confronto em Homs, que é a região mais atormentada pelas forças do regime há 2 longas e sangrentas semanas.

Foi então que Moscow mostrou-se indignado com a insistente estratégia de dispersar e silenciar as manifestações utilizando tanques, snipers e fuzileiros.

Segundo o site "almustaqbal" a Rússia teria enviado um pedido expresso  ao Secretário Geral das Nações Unidas Ban Ki-Moon e as autoridades em Nova York para que impeçam a prorrogação deste derramamento doentio e covarde do sangue do povo sírio.

Damasco - A capital da Síria - Cortesia "CC"
Pensamento do Regime

Em seu site oficial de notícias, a SANA, o regime sírio deixou transparecer a sua interpretação sobre a situação. Nesta Terça (01-11) o presidente Sírio recebeu a visita do chefe do Partido Democrático Libanês, o príncipe Talal Arslan, ainda o líder druso Sheikl Nasreddin Gharib e o ministro de Estado do Líbano Marwan Kheireddin.

A SANA disse que os convidados foram até Damasco para falar sobre "a intenção internacional de minar posições e a estabilidade da Síria, a segurança pan-árabe e assuntos pertinentes ao Líbano."

Segundo a SANA, citando o príncipe Talal Arshan que teria destacado que "A Síria representa a primeira linha de defesa árabe contra sionistas e ocidentais".

E a agência SANA citou a agência de comunicações do Partido Democrático do Líbano, como que por um comunicado logo após volta do príncipe Arslan a Beirute, que teria afirmado a existência de uma "conspiração visando a Síria, como parte de uma conspiração contra toda a região."

É claro que este discurso manipulado lembra as ameaças de incendiar a região feitas pelo presidente Bashar Al-Assad há 2 dias..

Em continuação à lavagem cerebral, a SANA disse ainda que o príncipe teria enviado a uma mensagem de apoio à Síria como que dizendo: "A Síria tem que superar a crise e se tornará mais forte do que nunca". De acordo ainda com a SANA a autoridade teria "elogiado o programa de reforma liderado pelo presidente al-Assad e afirmando que seu partido continuará a estar ao lado do governo, o líder da Síria, e das pessoas."

Crime premeditado

Gostaria de poder fazer todo o mundo enxergar o conteúdo do documento da inteligência síria que foi extraviado das forças de segurança e vieram parar nas mãos de ativistas. Mas parece que muita gente não acreditou. É ler o documento e fazer uma retrospectiva de tudo o que acponteceu até agora e comprovar que coumpriram à risca tudo o que estava planejado e impresso, carimbado e assinado.

Este documento altamente secreto não deveria estar na internet certo? Mas fontes muito fiéis de dentro da inteligência, que apoiavam a Revolução popular insatisfeitas com a situação, enviaram estes documentos para que o mundo tivesse ciência de como Al-Assad agiria com as autoridades internacionais e com seu próprio povo. Inclusive o documento diz que:

"No caso de assassinatos, a célula de segurança devem repetidamente acusar gangues armadas ou radicais, e afirmar que o aparato de segurança e o exército estão a contribuir para a proteção da estabilidade da ordem, e as pessoas."
"O anúncio de instruções estritas do Ministério da Educação para "alertar" as escolas e alunos sobre o uso da Internet e Facebook."
"Proibir todos os meios de comunicação de ir aos lugares de agitação, e punir qualquer difusão de qualquer notícia que não serve ao Estado - e não mostrando qualquer tolerância nesta matéria."
"...para usar snipers dentro dessas empresas de uma forma não-aparente para evitar a localização da fonte do fogo - também para aumentar a cobertura: Não há nenhum problema em matar algumas unidades e oficiais da exército, já que esta é útil para aumentar a animosidade do exército para os manifestantes."
Quando se fala em pronunciamento presidencial a ordem é:

"Atrasar o discurso, tanto quanto possível, como esse atraso é uma expressão do poder do Estado e sua imunidade para os eventos atuais."

Sobre diplomacia a ordem é grave:

- Instruir embaixadas da Síria no exterior, bem como o Ministério das Relações Exteriores para tranquilizar os EUA e os países europeus, e lembrando que a frente Golan pode ser sensível a instabilidade se os radicais tiverem sucesso e ganharem o controle.
- Instruir a embaixada da Síria em todos os estados para monitorar os sírios e seu comportamento - o ministério das Relações Exteriores está agindo nesta matéria.- Preparar as equipes de segurança e meios de comunicação para a implementação o mais rapidamente possível e como secretamente possível.
Para efeito de esclarecimento este documento foi divulgado em Maio deste ano, quando a cidade de Daraa estava sitiada. Mas o regime sírio tem se valido de Hackers para impedir a permanência de publicações importantes online. O link inicial pode ter mudado de nome, mas acredito que o site "intercom.gs" inteiro foi hackeado. mas foi publicado pelo site que é muito completo em inteligência no auxílio das demandas populares. O mais importante é que o documento original está aí. Quem se interessar e puder traduzir poderá conferir sua autenticidade. 

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