sexta-feira, novembro 18, 2011

Marrocos comemora o Dia da Independência em clima de primavera árabe.

Uma data festiva cheia de comemorações e homenagens pela independência do país, realmente tem muito a comemorar, mas à partir desta data, o Marrocos deverá se ajustar à nova tendência árabe. Ao contrário do que muitos pensam, a "Primavera Árabe" não é ocidental.

Boicote às eleições marroquinas - Snapshot cortesia "CheBouazizi"
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 18 de Novembro de 2011 - 16h57min.

Apesar de estar na França hoje, o Rei Abdullah recebeu do primeiro ministro paquistanês Syed Yusuf Raza Gilani uma mensagem em homenagem ao Marrocos pelo dia da Independência.  De acordo com a "Associated Press of Pakistan" que citou trechos do texto do ministro Syed como dizendo:

"Eu gostaria de aproveitar esta oportunidade para expressar os meus melhores votos para a saúde de Vossa Excelência , felicidade e rezar para que o passo para o progresso continua em ritmo acelerado para a prosperidade do povo irmão marroquino. "

Enquanto a independência marroquina é comemorada hoje se mostra um dia propício para uma nova tentativa de diálogo entre o povo e o reino. No dia 8 deste mês de Novembro uma manifestação popular exigindo água forçou os moradores a interromperem uma perfuração que acontece na regão de 1986, o que teria causado a crescente seca. Em meio à manifestação pedindo a atenção das autoridades para suas necessidades, um helicóptero real sobrevoou a cerca de 10 metros das cabeças dos populares de forma a intimidá-los. Segundo representantes da comunidade, além das forças policiais no solo, o helicóptero ameaçou pousar sobre suas cabeças. De acordo com testemunhas oculares  a população foi dispersada por meio de prisões, espancamentos e o líder do movimento, o ativista Mustafa Aoshtoban foi preso.



4 dias depois milhares de manifestantes de oposição ao atual regime de governo pediram à população marroquina que boicotem as eleições, depois de terem furado o boicote do referendo de aprovação da "nova constituição" que a oposição diz não ser legítima e que o esforço que o governo do Marrocos tem feito pela democracia é pura fachada.

Em uma conversa com um manifestante ele me disse que a mudança da constituição foi um truque para enganar a opinião internacional, alegando que nada vai mudar para o país. Segundo a oposição popular marroquina, todas as autoridades que estão no poder permanecerão no poder. Elas normalmente fazem rodízios de cargos e o voto popular não decide quem vai ocupar os cargos.

Fonte: "moroccoworldnews"
Eles disseram também que enquanto as mesmas pessoas estão no poder o tempo inteiro, utilizam a constituição de acordo a proteger seus interesses, criminalizando todas as ferramentas que o povo teria para dar sua colaboração no governo da nação. Esta suposta nova constituição por exemplo foi primeiro votada internamente e depois anunciada ao povo que foi a um referendo apenas para dizer "sim".

Por isto que por todo o país, como na gravura à esquerda, as pessoas se perguntam: "Você acha que as novas eleições vão realmente ajudar ao Marrocos a alcançar a genuína democracia?"

As manifestações se espalham pelo país pedindo a tão sonhada democracia, enquanto não puderem visualizar a legítima liberdade de direitos garantidos na constituição, as manifestações vão se multiplicando e com elas a repressão.  Bom: Todo mundo já conhece esta sequência de acontecimentos, não é verdade? Menos os dirigentes destes países.

Video: Manifestação marroquina por democracia gravada nesta sexta-feira 18-11-11


O que o povo Marroquino quer não acredito que seja tão difícil de atender, se houvesse vontade, eles querem um reino nos moldes de Londres. Mas simples que a derrubada do rei. Então o rei Abdullah, com todo o respeito à vossa majestade, deveria se reunir com outros líderes árabes, ou com todos eles, para encontrar uma solução para o povo de forma tranquila e eficaz, principalmente que seja satisfatória. Infelizmente a maioria dos líderes prefere se manter longe do diálogo e se resguardar pelo fogo das metralhadoras. Um caminho sem volta. Se continuar neste ritmo logo estaremos acompanhando a terceira versão do "no-fly zone" da primavera árabe 2011. Hum? Ah! A segunda é da Síria.


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