sábado, novembro 26, 2011

Marrocos: Apenas 5.8 de 13 Milhões de eleitores votaram e país tem 35 milhões de habitantes.

Eleições boicotadas deixaram prejuízo de 35% nos votos mas continuam valendo. Enquanto partidos e políticos comemoram, povo lamenta falta de transparência, honestidade e democracia. Verdadeiras eleições engessadas de eleitores amordaçados que só podem dizer "sim" ou "não".
Um site iraniano pergunta: "Será que as novas eleições marroquinas reduzirão os poderes do Rei?"
"Moroccan flags" Cortesia: "Pierre Metivier"
Por Saulo Valley -Rio de Janeiro, 26 de Novembro de 2011 - 12h50min.

De acordo com o protocolo, o plebiscito para votar a nova constituição foi uma confirmação de sua aprovação, mas a oposição não aceitou, porque disse que a nova constituição foi examinada por membros do governo atual para que garantissem seus status e cargos. Mas o povo teve pouco acesso ao seu conteúdo. Oposicionistas mais antenados com termos legislativos perceberam que muitas das modificações nas leis eram redundantes e tudo terminava praticamente como era antes.

Mas com a tamanha propaganda das agências de notícias e publicidade do governo, o povo saiu em peso à favor da "democracia", sem saber que votaram unanimemente para que tudo continue como estava antes.

Foi por esta razão que o segundo passo exigido pelo protocolo de implantação de uma novo governo, seria a conclamação do povo para as eleições parlamentares. Para evitar ser contrariado, o governo marroquino abafou a reclamação dos populares com massiva propaganda de mídia. Foi daí que a oposição decidiu pelo boicote às eleições parlamentares.

Então se a "nova constituição" teve 100% de aprovação, porque numa população de mais de 35 Milhões, apenas 5.8 milhões de pessoas votaram, sendo que mais de 13 milhões são eleitores?

Por causa da "credibilidade perdida". O povo acreditava que poderia ter um governo democrático de verdade. Tanto quanto acreditam os egípcios, os líbios e os sírios. Mas para isto, tem que haver vontade, muita vontade por parte da comunidade política do país. Na maioria dos países árabes, as comunidades islâmicas procuram manter o controle das leis e do comportamento das pessoas. Eles querem manter o povo atrelados ao cabresto da religião, mas na verdade o povo árabe não acredita mais que as leis islâmicas contribuam para o crescimento de um país como um todo, além da cúpula no poder.

É por isto que uma equipe de repórteres do "moroccoworldnews" foi até Casablanca conversar com as pessoas e 99,99% das pessoas pobres entrevistadas se mostraram desacreditadas que estas eleições mudariam de alguma forma suas vidas.

Ontem estive conversando na internet com um jovem marroquino que me perguntou:
"Ah você tem alguma notícia sobre a alguma incrívelmente famosa, grande, enorme, agradável, maravilhosa, exclusiva, fantástica eleições do regime marroquino?"
 É claro que dei boas gargalhadas, ao mesmo tempo puder ver o tamanho de suas frustrações com as chamadas para "democracia" pelo seu governo. Uma campanha similar à que Al-Assad planejava fazer até o início de 2012, mas foi frustrada pelos manifestantes que desabaram a denunciar todos os truques do regime de forma sucessiva, o que o irritou ainda mais.

O sucesso das eleições "populares" está confirmado aqui: Uma massiva manifestação para o boicote das eleições, enquanto que no vídeo posterior, as zonas eleitorais aparecem vazias.





Neste exato momento os votos estão sendo contados. O "Guardian" disse nesta manhã de sábado que o PJD (Partido da Justiça e Democracia) já comemora sua vitória absoluta logo no início da contagem, mas o resultado final sairá até o fim do dia.

Neste vídeo à seguir, um senhor é entrevistado. Ele é analfabeto, como uma grande porcentagem dos marroquinos, é muito pobre. Um pastor de ovelhas. Quando perguntado sobre sua opinião, ele respondeu que não importa qual seja o resultado:


"Em qualquer caso, os partidos políticos em Marrocos não têm credibilidade, deve ser simplesmente um governo do então "rei". 

Ele votou em branco.

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