quinta-feira, novembro 24, 2011

Iémen: Uma página à mais na mesma velha história do país.

O que significa a expressão "resolver o conflito?" Para muitos do ocidente o dia de hoje seria "Uma nova página na história do Iémen", mas não é. A exemplo do Egito, membros da família de Saleh estão no poder enquanto o país se mostra dividido em 3 grupos armados e o povo acredita que daqui a 3 meses só haverá 1 candidato à presidência: o presidente interino atual.

A paisagem urbana leva o povo a refletir sobre o que chamam de
 "A Comercialização doSangue dos Mártires"
Por Saulo Valley -Rio de Janeiro, 24 de Novembro de 2011 - 17h47min.

Desde que Saleh foi convidado a assinar o acordo proposto pelo Conselho do Golfo é que a população tem rejeitado qualquer oportunidade de que após gigantesco massacre no país, Saleh só saísse sob a condição de imunidade e ainda deixasse seus substitutos no poder.

A iniciativa desesperada para silenciar os sons das armas de fogo contra a população de manifestantes e fazer cessar as mortes diárias é uma espécie de faca de dois gumes. Se as concessões dadas a Saleh foram lhe bastante favoráveis, este poderá ser um caminho à seguir pelos próximos ditadores, citando Al-Assad como exemplo.

Então o caminho será este: Quer sair do poder com muito dinheiro público roubado às claras e ainda obter imunidade, basta matar milhares de manifestantes diariamente até que ninguém aguente mais ver mares de sangue e lhe ofereçam uma "licença-prêmio."

Esta aposentadoria com o Bônus da imunidade judicial está deixando o povo ienemita em desespero.
Lembrando que eles não se puseram na condição de vítimas por prazer. Eles acreditaram que no sacrifício como forma de conquistar a liberdade como um todo. Acreditaram que o "derramamento do sangue dos mártires" levaria à libertação completa do povo e na formação de um novo governo e uma nova constituição com base nos padrões de numa "sociedade civil moderna e democrática."

Mas neste dia 24 de Novembro de 2011 os sangue derramado dos 5 mártires, que exigiam justiça sem concessões virou motivo de piada e chacotas entre os funcionários das funerárias que manipulavam seus corpos.

O escândalo veio à público da forma mais inusitada possível:

A emissora de "TV Suhail" (privada) estava exibindo sua programação matinal normalmente. Durante uma troca de turno entre os técnicos da estação, a câmera que registrava o momento dos preparativos dos corpos no necrotério local foi levada ao ar acidentalmente, ao invés dos vídeos dos confrontos nas ruas e praças. Em transmissão ao vivo os funcionários da funerária brincavam com os mártires e faziam piadas com suas mortes, inclusive negociação de seus valores. Este incidente despertou o Iémen hoje para o "comércio de cadáveres".

O incidente deixou além dos 5 mortos 34 feridos, disse a AFP. Na sequência o povo ienemita condena o fato do poder estar nas mãos de sucessores de Saleh ainda, conforme ele havia garantido em Maio deste ano. Enquanto o ocidente comemora a saída triunfante do ex-presidente que se manteve 21 anos no poder, o povo chora por seus mártires e seu sangue derramado sem a devida vingança. Neste tempo eles ainda são obrigados a suportar as emissoras de rádio e de TV estatais invadindo suas mentes com propagandas pró-Saleh, uma tortura tão insuportável que eles já são capazes de demonstrar:


Se as autoridades internacionais, os Conselhos e as organizações não fizerem algo realmente concreto, para que estes países alcancem a libertação, pior que a década do terrorismo, esta será a década dos levantes sucessivos.

Para conhecer melhor o pensamento do povo do Iémen, visite sua página no Facebook.

A Síria como exemplo

Citando com exemplo uma notícia muito fresca de que a proposta síria de modificação do plano da Liga Árabe de implantação de 500 observadores na República Síria, cujo projeto sofreria 18 alterações radicais que beneficiariam ao regime Sírio, acabou de ser aprovada pela Liga Árabe.

Inicialmente havia sido rejeitada porque as sugestões da Síria praticamente retirariam os observadores dos hospitais, das prisões e não poderiam visitar as cidades "infectadas" livremente, nem poderiam entrevistar quaisquer pessoas que quisessem.

De acordo com site árabe "Al-Akbah" A Argélia fez uma nova proposta de modificação do plano original e apresentou na reunião do ministério nesta tarde de Quarta. De acordo com a fonte a Argélia assinou um termo de compromisso como responsável pelo cumprimento do novo formato do projeto de resolução que foi aprovado, visando a "proteção dos civis" na Síria.

Se este plano for semelhante ao plano egípcio e ienemita, o sangue dos mártires poderá estar sendo ignorado e uma gigantesca manobra de livrar Al-Assad de seus crimes poderá estar em andamento.

Só o tempo dirá a verdade. Logo após esta reunião uma nova reunião ainda nesta noite será para a decisão do futuro da Síria diante da Liga Árabe. Os resultados deverão ser apresentados amanhã.

Artigo em Destaque

Julian Assange periga ser extraditado para os EUA

O fantasma da extradição de Julian Assange volta a assombrar e podemos dizer que processar e condenar o fundador da Ong Wikileaks pelo cr...

Leia também: