segunda-feira, outubro 10, 2011

SÍRIA sem máscaras: Ameaça ao Ocidente, o Oriente e à oposição.

Contesia: "copepodo"
Durante 6 meses de levante e de resposta excessivamente violenta contra o próprio povo, o governo sírio vinha se escondendo por trás da fala mansa e da aparência franzina do presidente Bashar Al-Assad. Ainda havia o discurso de que as "reformas estavam sendo implementadas" e que ninguém poderia se intrometer nos "assuntos internos" do país.

Por Saulo Valley -Rio de Janeiro, 10 de Outubro de 2011 - 14h25min.

Desde o último encontro das Nações Unidas que aconteceu em Nova Yorque, o clima tem ficado bastante intenso, com a rejeição internacional do veto da Rússia e da China contra o pacote de ações dos Direitos Humanos das Nações Unidas entre países europeus. O mundo iniciou uma campanha contra a Rússia e a China, em consequência os parceiros da Síria. Uma grande agitação nos bastidores da política depois que o Brasil se decidiu em apoiar a Turquia depois de que se absteve de votar a resolução européia.

A Turquia que havia decidido fazer exercícios militares na fronteira com a Síria 2 dias antes da chegada da Presidente brasileira Dilma Roussef ao país, foi o primeiro país a dar um passo além da diplomacia. Uma semana antes a Embaixada americana havia sido atacada por manifestantes pró-Assad como uma clara mensagem de intimidação. Depois de a comitiva ter sido apedrejada e atacada com ovos, o governo americano decidiu chamar de volta seu embaixador e cobrar pelos prejuízos.

Com o aquecimento da atmosfera em torno da Síria, os massacres ganharam mais impulso, enquanto no meio político o presidente Al-Assad elogiou a proteção da China e da Rússia com o veto da resolução contra seu país.

Já a Rússia enviou uma mensagem forte (mas não se sabe se real ou estratégica) exigindo que Bashar Al-Assad implemente as reformas de uma vez ou deixe o poder, mas garantiu que nenhum país se intrometeria neste assunto.

No meio de uma sequência de acontecimentos, a palestina anunciou o reconhecimento do Conselho Nacional da Síria e concordância com a Líbia como sendo o governo transitório oficial e representante legal do povo sírio. Enquanto o Conselho Nacional de oposição a Assad pede reconhecimento internacional, regime sírio busca liquidar todos os seus bens e pertences no exterior para impedir que estes recursos sejam, transferidos para o Conselho Nacional e impulsione o levante a exemplo da Líbia.

Depois de ter sobrevivido a um atentado 30 dias antes, o Ativista Mashaal Tammo presidente do Conselho Nacional de Oposição da Al-Assad foi assassinado pelas seguranças sírias disfarçados em terroristas. O presidente Barack Obama protestou contra a morte do presidente do Conselho Nacional, que representava a oposição popular do país e intensificou as ameaças contra a Síria.

Em resposta, o presidente Bashar Al-Assad inicou uma sequência de ameaças contra os Estados Unidos, Europa e qualquer país que reconhecesse o Conselho Nacional como representante legal do povo sírio.
Em seguida ameaçou incendiar o Oriente Médio se os Estados Unidos ou a NATO tocarem em solo sírio, entre outras coisas, disse estar pronto para disparar milhares de mísseis contra Israel. Isto também coincide com o momento em que o Iran inicia uma série exercícios e mobilizações de barcos enquanto anuncia a instalação de mísseis de cruzeiro apontados para os Estados Unidos e destroyers patrulhando a costa leste da América.

Enquanto a União Européia enviou uma mensagem áspera alertando a Assad para que pare de matar o povo sírio, sua resposta veio como ameaça para a União européia bem como o Ocidente dizendo que se algum país estrangeiro se intrometesse em "seus negócios" seria "olho por olho, e dente por dente",  um dia depois de ter recebido a visita de uma comitiva de representantes da "ALBA" que é formada por países latino-americanos, de maioria socialista, comunista ou simpatizante.

Hoje pela manhã, pelo menos 12 caças alçaram vôo e sobrevoaram várias cidades da Síria em baixa altitude despejando produtos químicos sobre regiões inteiras como a parte rural de Idleb e a cidade de Homs. Em terra uma violenta campanha de bombardeios e prisões ainda em perseguição contra os ativistas e políticos ligados à oposição popular e ao Conselho Nacional, fazendo uso de pelo menos 10 helicópteros de guerra, tanques em grande número e muitos soldados.

Iran, Iraque e Síria enviam uma mensagem de alerta para a Turquia, dizendo que melhor seria repensar sua posição com relação a Síria, a instalação de escudos anti-mísseis da NATO, e que pare de disseminar mensagens de secularismo, antes que tenha problema com seus vizinhos e seu próprio povo. A mensagem foi enviada pelo líder iraniano Aiatolá Khomeine.

Outro motivo que tornou o tranquilo presidente Bashar Al-Assad um homem agressivo e irritado foi o grande levante militar em seu território. Um número que hoje já ultrapassa dos 20 mil dissidentes que se reuniram e lutam bravamente para derrubar o regime sírio e dar fim ao inescrupuloso ataque ao povo que tem sobrevivido a duras penas.

Dentro deste contexto, a ONU anunciou ter provas da participação de membros do Hesbollah e de soldados da Guarda Republicana Iraniana dentro das tropas sírias em combate contra os soldados dissidentes, que chegaram ao país cruzando a fronteira do Líbano.

15h38min: Conselho de Transição da Líbia decide fechar a embaixada na Síria e o povo sírio reconhece o Conselho de Transição da Líbia.

Há exatos 34 minutos a Organização das Nações Unidas enviou um ultimato para o regime sírio: Mikhail Margelov, chefe do comitê de assuntos estrangeiros na câmara alta do parlamento russo mostrou-se insatisfeito com a situação alertando ao presidente Sírio Bashar Al-Assad de que o

 "Veto Russo da resolução contra a Síria não é carta branca para o regime da Síria fazer o que lhe agrada, e nem um passeio livre para o regime ou da oposição"
O protesto foi um "ultimo aviso" para que a oposição e o regime sírio sentem e negociem uma forma de pôr em prática as reformas no país. Disse ainda que a Rússia esgotou todo o seu "conjunto de ferramentas" que estavam previstas pelo Direito Internacional.

Já a União Européia enviou mensagem de apoio à oposição síria e fez anúncio de que novas sanções estão sendo estudadas. A frança anunciou nesta Segunda que está pronta para estabelecer contato com o Conselho Nacional de Oposição Síria ainda.

Nesta Segunda a Malásia enviou uma mensagem rejeitando a intervenção estrangeira nos assuntos internos da Síria, enquanto que o Chefe da Liga Árabe anunciou que está indo conversar com Bashar Al-Assad neste momento.

Artigo em Destaque

EDITORIAL - O Brasil é perfeito para quem não teme o trabalho honesto

Temos que combater os esforços da mídia paga, que visa fazer as pessoas amarem mais o mal que o bem. Se você concorda leia, comente e compa...

Leia também: