segunda-feira, outubro 24, 2011

Síria: Homs debaixo de pesado bombardeio pede a visita da Liga Árabe em 26-10

A Liga Árabe enviará uma delegação para implementar um conjunto de resoluções que prometem cessar a matança de manifestantes e dar início ao diálogo entre o governo sírio e a oposição. A liga chegará em Damasco no dia 26 de Outubro.

Arab League Ministerial Consultative Meeting - Cortesia: "Bahrain Ministry of Foreign Affairs"
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 24 de Outubro de 2011 - 18h10min.

O início da revolução síria aconteceu quando pelo menos 10 meninos estudantes que haviam aprendido acerca das revoluções na Tunísia, Egito e Líbia que estavam em progresso. Eles escreveram no muro da escola: "As pessoas querem derrubar o regime". Esta frase ecoou por toda a Síria provocando a ira de Al-Assad que iniciou uma matança semelhante às que seu velho e falecido pai estava acostumado a realizar em todos os seus 30 anos de governo.

Serviço secreto nas ruas e uma pesada e mortal campanha para conter a revolução gerando mais de 1600 mortes de manifestantes fez o povo gritar em alta voz: "As pessoas querem derrubar o regime". Elas passaram a gritar abertamente nas manifestações durante todo o mês de Maio.

O presidente sírio Bashar Al-Assad não desistiu, incrementou suas tropas, armando os Shabihas e permitindo os mais bárbaros crimes praticados por especialistas em guerra contratados da Guarda Republicana do Iran e do Hezbollah. Quando o número de mortos passava de 2600 o povo soube que a NATO não iria enviar socorro. Eles se voltaram com mais ódio contra Bashar Al-Assad. Milhares de pessoas saíram às ruas  gritando sem medo: "As pessoas querem executar o presidente".

Quando o ex-líder e ditador Muammar Kaddafi foi pego e executado pelos rebeldes o site "MCSR" disse:

"O assassinato do ex-líder líbio, Muammar al-Kadafi nas mãos de revolucionários da Líbia teve um impacto poderoso sobre as manifestações da Síria na noite de quinta-feira. Com alegria e expressões de apoio ao povo líbio, sírios renovaram suas demandas para derrubar o regime e executar o presidente sírio." 
Hoje a Revolução Síria conta por seus próprios meios a ocorrência de 3934 mortes, ainda 45 mil prisioneiros  do regime e 14.227 refugiados nos países vizinhos. Hoje eles gritam uma nova canção:

"Eles querem a visita da Liga Árabe em Homs" que está sitiada, sob bombardeio, assalto e castigo ininterrupto há 33 dias, juntamente com Idleb, Hama, Latakya e a região Sul de Damasco além de vilas e aldeias. Como resposta, o valente povo sírio insistiu nas demonstrações de oposição ao regime dia e noite, sem intervalos. Eles ainda responderam com greves gerais nos principais centros comerciais já há 2 semanas.

No dia 20 de Outubro a Liga Árabe por sua vez enviou uma mensagem ao presidente sírio Bashar Al-Assad apresentando a decisão da Liga de assumir coordenação do diálogo entre o governo e a oposição dizendo já ter conversado com os dois lados e já ter como resolver a situação; só bastava que o presidente lesse a resolução e permitisse o acesso da Liga no dia 26 de Outubro no país.

Em um informe a Liga Árabe disse que recebeu as "boas vindas do governo sírio". As negociações serão lideradas pelo Estado do Qatar e a secretaria-geral da Liga. O Embaixador Hanafi que é Chefe de Gabinete da Secretaria Geral do Conselho de Ministros disse que esta visita será para a implementação das decisões que resultaram da última reunião especial do Conselho, organizando uma conferência nacional de diálogo entre as partes e cessando imediatamente a violência. O comunicado informa ainda que serão convidados representantes da China, Russia e da Turquia "para  ajudar a exortar as partes a concordar e manter o diálogo nacional".

Alguns opositores disseram que não acreditam no benefício deste diálogo, já que no mesmo horário da conferência o presidente sírio estará matando todo mundo lá fora e poderá utilizar o evento para detectar novos líderes da oposição, depois de ter preso 10 membros da coordenação desde o anúncio da criação do Conselho Nacional de Transição Síria para representar a oposição e as demandas do povo sírio oficialmente, sem falar nos ativistas que foram caçados e mortos bárbaramente.

EUA:

O governo americano anunciou que o Embaixador Robert Ford foi chamado de volta para Washington por tempo indeterminado por que sua permanência em Damasco não era mais segura, o que chamou de "sequência de procedimentos" adotados por Washington informado pelo Conselho Nacional de Transição da Síria citando fontes oficiais, nesta tarde de Segunda.

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