domingo, setembro 04, 2011

Síria: Um povo humilhado, mutilado, barbarizado e isolado. E as autoridades?

Um massacre transmitido em tempo quase que real pela internet. Uma onda de brutalidade e crueldade que permanece acima das leis internacionais e intimida países considerados potências. Uma crueldade que não parece ter fim até que algum país decida parar o genocídio. Cada dia mais sírios clamam por intervenção internacional. Ela virá?


Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 04 de Setembro de 2011 - 09h17min.

Desde 15 de Março o povo sai às ruas para pedir o fim do abuso de poder contra civis. Prisões aleatórias seguidas de torturas eram só o princípio. Rapidamente os jovens começaram a ser executados por franco-atiradores instalados a quilômetros de distância. Era assustador ver dezenas de jovens morrendo diáriamente.

Mas a crise ainda estava só o começo. Com o aumento da intensidade dos protestos contra os crimes bárbaros cometidos recentemente, Bashar Al-Assad iniciou uma campanha ainda mais violenta, passando do uso de snipers a bombardeio de residências após imposição do toque de recolher, prisões massivas, torturas,  mutilações até a falência dos prisioneiros. Uma clara intenção de provocar um massivo genocídio sem que ninguém tenha poder suficiente para impedir.

Não muito satisfeito com o volume estarrecedor de civis mortos, Bashar Al-Assad ordenou o uso de granadas de mão, Lança foguetes BDMs, metralhadoras ".50", canhões anti-aéreos, bombas de gases venenosos, lança-chamas, apelando ainda para ataques armados contra hospitais e seus equipamentos, uso de ambulâncias para operações de massacre, intensificação de snipers, isolamento das cidades por meio de bloqueio militar, proibição do fornecimento de alimentos, remédios, água e energia elétrica, condenando o infrator a torturas seguidas de execussões, massivas prisões diárias, sequestro de civis de todas as idades por motivos fúteis, execussão de manifestantes presos e soldados dissidentes sem acusação ou julgamento justo.

A prática de estupros massivos tem sido constante. Bombardeio das mesquitas, e uso dos templos como base militar e banheiro. O uso de escolas públicas como prisão e centrais de torturas, e mutilação de tudo e todos. Violação de túmulos dos manifestantes e a destruição dos cemitérios. Uma guerra injusta e violentamente bárbara.


O regime sírio tem procurado utilizar todas as formas possíveis para destruir a estabilidade emocional, moral, intelectual e física de seu povo. Um crime premeditado, bárbaro, e injustificável. Provavelmente provocará efeitos psicológicos e espírituais irreversíveis. Neste sábado um video gravado num velório mostra que as pessoas não tem autorização para se despedir de seus parentes e amigos mortos polo próprio regime sírio.

Nas praças públicas há inúmeras comprovações de centenas de corpos de manifestantes enterrados. Para descaracterizar o clima fúnebre nestes locais públicos, Bashar Al-Assad ordenou a reforma das praças e jardins. O plantio de flores, pintura e reforma bem como a instalação de novos brinquedos. Logo a seguir iniciou uma campanha publicitária convidando o esmagado povo sírio a visitar as praças como sendo um "lugar apropriado para reflexão".

Sadismo inescrupuloso e barbarização da dignidade humana. Um homem no poder que se diz "deus" e exige ser adorado pelos manifestantes que juraram permanecer lutando até que ele seja retirado de seu cargo ou que não exista mais nenhum ser vivo na Síria para ser humilhado e aniquilado:


Enquanto isto as autoridades internacionais tentam se desvencilhar dos emaranhados provocados por inúmeros contratos bilaterais passados que os tornaram coniventes e patrocinadores das maiores atrocidades que se pode ter notícia. Uma minoria de rebeldes acusados dos maiores crimes contra humanidade praticados na maioria dos casos, por presidentes, reis, primeiro-ministros, e líderes militares que ocupam altos cargos no oriente e no ocidente.

Uma roda de poder que só é combatida dentro dos Estados mas é largamente praticada internacionalmente.

Quem é o inimigo? Quem é o vilão e quem dá suporte a estes crimes bárbaros? A maiores potências mundiais. Na maioria dos casos, são elas mesmas que publicamente condenam este tipo de crime, mas continuam fornecendo meios para que continuem sendo praticados.

É o sistema. Uma sociedade imoral e cruel que visa apenas lucro. Senão pelos abusivos impostos cobrados do povo, pela venda de armas e tecnologias militares que possam oprimi-lo ainda mais. Os recursos de inteligencia e de mídia que buscam ofuscar estes crimes e o uso do entretenimento para desvirtuar o que pode ser porventura exposto mais tarde.

Atualização 11h27min: Video vazado - Gravado logo após o Massacre de Hama em 19-04-11. Todos as forças de massacre reunidas numa grande festa com variedade de nacionalidades exibidas nas bandeiras.


Tudo isto é uma máquina e os líderes mundiais planejam permanecer no poder por longo período. Agora já se tem notícias de que a Argentina está empregando o método socialista do "Hugo Chávez", que após ter sido promovido pelo ex-presidente brasileiro Luis Inácio Lula agora vem ganhando grande adesão internacional.

Infelizmente todos os países que estão se definindo como socialistas anti-americanos, também são fiéis parceiros de todos os mais terríveis massivos exterminadores. O fracasso do governo Bush transbordando em efeitos colaterais que poderão transformar o planeta num lugar para poucos, após a aniquilação da população pobre. Uma ação que parece ser uma espécie de convenção acordada e assinada pelas maiores autoridades internacionais que gastam grandes porcentagens de seus discursos, alertando para o problema da hiper-população mundial. Infelizmente esta é uma hiper-população de pessoas sem acesso a educação, qualificação profissional, poder de compra e ainda se mostra dispendiosa e exigente.

O silêncio das potências árabes assinam a sentença de morte de todos os civis que buscam a democracia e a garantia de seus direitos civis, humanos e internacionais. Isto me parece mais do que um temor. Me parece uma concessão.

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