terça-feira, setembro 27, 2011

Síria: Assad reescrevendo a constituição enquanto exército mata cerca de 17 por dia.

O governo sírio anunciou nesta Segunda, que o presidente Al-Assad está completamente dedicado às reformas na Síria. De acordo com Shaaban, assessora política do presidente sírio, ele está empregado em formar a comissão que reescreverá a nova constituição. Ontem 15 civis foram cruelmente assassinados pelo exército sírio. Há muitos relatos de sequestro de mulheres, estupro, mutilações e em Rastan o uso de bombas de gás venenoso.
Video: Promessa de reformas anunciadas há 5 meses.


Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2011 - 06h11min.

Mais de 40 representantes de países espalhados no mundo pediram a Assad que:

"Pare imediatamente com a violência contra civis e dê início às reforma exigidas pelo povo sírio".

Mas Al-Assad parece não ter ouvido em mais de 40 pronunciamentos de autoridades internacionais, a primeira parte do pedido. Ele se mostra concentrado nas "reformas" que parecem mais similares às reformas impetradas por Hittler, que pretendia formar uma nova civilização a partir da existente. Para isto achava necessário submeter o povo a inúmeros experimentos científicos, perseguições, extermínios, mutilações, privações e toda sorte de desgraça em massa!

As reformas não parecem ter alguma utilidade na Síria, enquanto que o castigo e a destruição do povo que se opõe ao regime de Bashar Al-Assad parace ter mais importância e urgência.

Para ser mais claro, desde que o presidente sírio anunciou que as reformas políticas estavam em andamento, apenas três realizações puderam ser notadas:

A suspensão teórica da Lei de Emergência que já vigorava há 48 anos. Esta suspensão simbólica não provocou nenhuma mudança significativa na Síria, uma vez que o exército continua sitiando as cidades, aldeias e bairros, impondo toque de recolher, proibindo a saída e entrada das cidades isoladas, bloqueio nas comunicações, energia elétrica e todos os outros recursos, que são essenciais para a subsistência de uma sociedade civil. O mesmo dia do anúncio da suspensão da Lei de Emergência, fechou com a morte de 22 manifestantes, por franco-atiradores instalados nos prédios governamentais. Na época o exército tinha sitiado a cidade de Daraa e semanas depois, quando se retirou, deixou 2 valas comuns cheias de corpos de pessoas de todas as idades, inclusive crianças.

A Lei dos Partidos e o "direito à oposição" deveria ser um passo importante, já que o país é regido há 48 anos apenas pelo Partido Ba'ath.Com o lançamento da nova lei deveria ser permitido a oposição, para que houvesse maior discussão sobre os variados assuntos de interesse do povo sírio, mas a lei criada no papel é uma coisa. Na prática, a oposição síria não passa de parentes do presidente, funcionários do governo, agentes do serviço secreto e um monte de pessoas que são pró-Assad. Estas pessoas não compartilham das manifestações nas ruas. Elas não têm a menor ligação com as lideranças da revolução popular contra o regime sírio e elas só fazem oposição ao povo da Síria e à garantia dos direitos humanos internacionais.

Testemunhas oculares informaram que ontem 2 professores da Universidade Ba'ath em Homs foram executados. Há um tímido e crescente número de membros do partido do governo que estão renunciando, e é claro, fugindo para não morrer. Há 4 meses 200 membros do partido anunciaram suas renúncias e muitos deles foram executados por Maher Assad, o irmão do presidente que controla com punhos de sangue as forças contra a revolução popular.


A nova lei de Mídia acrescentou vigilância e proibições onde já era vigiado e proibido. As agências internacionais continuam excluídas, a SANA é a única agência de notícias que pode se "expor", e ela só escreve as notícias enviadas pelo serviço secreto sírio depois de serem revisadas por Al-Assads. A "nova" lei não abre espaço para que agências de notícias locais filmem, ou fotografem os acontecimentos no país, e desde o início da revolução, os jornalistas profissionais e repórteres cidadãos estão tendo todos os seus equipamentos confiscados, estão sendo presos, torturados e executados. Há muitos exemplos, como o jornalista sírio, correspondente da Al-Arabyia, Zaid Mistou, o cartunista político Ali Farzat e o ativista político, famoso por suas entrevistas às agências oficiais internacionais, Mohammad Saleh.

Jane Corbin, uma importante e experiente repórter no Oriente Médio para a BBC, ganhou autorização da Síria para entrar no país. Cercada de mentiras, agentes de segurança e vigiada por dezenas de agentes da inteligência síria, ela pode andar alguns metros fora do hotel, entrevistar Shabihas se passando por manifestantes e voltar ilesa para casa. Esta era mais uma tentativa de mostrar para o mundo que tudo está "bem" e literalmente "sob controle".

Esta "nova lei de Mídia" não só procura encobrir os massacres de jornalistas locais mas também não protege as pessoas que cedem entrevistas a qualquer agência de notícia espalhada no mundo ou local. Tudo na Síria ainda tem que ser feito escondido. E há agentes secretos infiltrados em todos os ramos da sociedade.

Deixando toda esta utopia de lado, voltamos para o mundo real da Síria:




27-09-2011 - 07h36min

URGENTE: Homs: Rompimento de mais uma rebelião no exército e os sons de bombardeios, colunas de fumaça enchem os céus de Rastan e relato de batalhas ferozes muito entre os dissidentes e os militares-Asadi, informações de segurança e Cbihh auxiliando nos massacres em grande número de estames e gangues e a intervenção de helicópteros para evacuação. Em Bayada: uma enorme explosão foi ouvida na rua Zeer e um tiroteio muito, muito pesado. 

HOMS: Rastan: "a partir da periferia de Rastan não vi nada, além de nuvens de fumaça, apenas o bombardeio dos tanques". Violento tiroteio contínua. 

HULA: Todas as comunicações e corte de energia, área isolada, o exército reimplantado. 


MALP TER: incêndio muito pesado na sede da 26 brigada. (sinal de choque entre dissidentes e forças regulares) 


EL Waer: grandes explosões e artilharia pesada na área da floresta agora 


TALBISEH: Tiro em bloqueios.


TALBISEH & Rastan: comunicações ainda cortadas.


Video: Manifestação em Palmyra contra o absurdo bombardeio das escolas.

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