segunda-feira, setembro 26, 2011

BRAZIL: A corrupção política começa no voto obrigatório e nos partidos

Os partidos políticos no Brasil são muitos. E para que tantos partidos tenham seus espaços garantidos no governo, tudo pode acontecer. As cidades que mais sofrem com as máfias dos partidos são normalmente as adjacentes às grandes capitais. Muitos dos municípios brasileiros têm sido controlados por partidos armados, comandado por mafiosos e milicianos. A fabricação de políticos é uma prática comum. Para um país que quer enxugar a política, ao invés de iniciar atacando os políticos corruptos,  precisa parar imediatamente a fabricação de novos candidatos em esquemas fraudulentos.

Movimento Contra Corrupção - Cinelândia/RJ 20-09-11 - Foto Saulo Valley
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2011 - 07h21.
Atualização: 21-06-2012 08h21 GMT-3

No Brasil nunca houve o tempo em que o voto fosse um direito constitucional. A idéia de um país democrático onde o voto é obrigatório é cruel e facilita a criação de fraudes. Esta regra não é mantida por acaso. O nível de corrupção política no Brasil é tão elevado, que se o voto não fosse obrigatório, simplesmente 100% da população de eleitores usaria a abstenção ao voto como forma de protesto, ao invés de eleger o Macaco Tião (chimpanzé que morava no zoológico da cidade) com 400 milhões de votos  e o palhaço Tiririca com mais de 1,3 milhões de votos. Um escândalo. Um espanto.

Decidir votar ou não votar: Este ato seria realmente um ato de democracia e em respeito aos direitos humanos internacionais. Esta corrupção apadrinhada pelo Governo Federal é antiga e todo mundo conhece.
É difícil, diante do voto obrigatório, escolher entre o candidato corrupto (que todo mundo sabe que é corrupto) e o candidato bandido (que todo mundo conhece suas atividades criminosas).

Movimento Contra Corrupção - 05-11-2011
Foto: Saulo Valley
O país que se diz democrático retira das mãos do povo brasileiro o único recurso que lhe permitiria protestar e atacar diretamente a corrupção política e partidária. Agora o Brasil exige o direito de demitir o político eleito que for julgado incompetente ou peça de esquemas fraudulentos.

CPI das pizzas

O povo brasileiro exige o direito de controlar seu próprio governo. Ele exige o direito de tomar decisões sem ter que esperar as conclusões obtidas em CPIs de fachada, que na maioria dos casos, são arquivadas em intervalos médios de 2 anos e ninguém é culpado. Muitas destas CPIs são verdadeiras minas de ouro. Elas aumentam os ganhos de muitos políticos que vivem para criar processos que julgam casos de corrupção real, entretanto são utilizadas para acalmar a mídia e a opinião pública (demonstrando que o processo está em andamento, mas sempre terminam em famosas "pizzas").

Muitos políticos acabam tornando-se especializados em CPIs de impunidades e a criação de novas CPIs aumentam inexplicavelmente os gastos públicos, além de permitir que políticos corruptos julguem seus próprios parceiros de corrupção, ainda servem de palanques políticos, onde seus membros são apresentados como "celebridades da justiça e da retidão política". Este privilégio tende a reduzir a desconfiança do eleitorado brasileiro para estas pessoas e de certa forma, acabam ganhando respeito e confiança popular.

Cultura do desinteresse popular

Em dias de eleições o que mais se ouve nas ruas é a frase:

"Corruptos todos são, mas vou votar no menos pior".

Movimento Contra Corrupção - Cinelândia/RJ 20-09-11 - Foto Saulo Valley

Mas o candidato "menos pior" sofre transformação quando ocupa seu cargo pretendido. E nos esquemas de estratégia política ele ingressa (obrigatóriamente) para o submundo da "máfia política e partidária".

Traçando uma linha tênue e infinitamente paralela entre a política e o crime organizado, a política nacional chegou ao ponto de deixar claro que:
"Qualquer pessoa, por melhor que pareça, e que se proponha a ingressar na vida política acaba se corrompendo, porque o sistema não permite que ele seja diferente, a não ser que queira ser morto".

Esta sentença descreve a realidade política brasileira em sua essência e até agora, sabe-se que nada do que foi escrito nestas linhas, vem se constituir numa novidade para o conhecimento do público. Analisando os problemas do Brasil na raíz, vemos claramente que este assunto é um dos mais evitados, por dois sérios motivos: "Auto-preservação" e por ser um "esforço inútil pensar no assunto".

O Brasil, que carrega o apelido triste de "O Gigante Adormecido", acaba de ser descoberto pelo mundo. Mas para que possa mostrar o seu verdadeiro potencial, precisa mesmo se libertar do grande volume de saqueadores que o cercam e o aprisionam. São ladrões sínicos. Vagabundos de terno e gravata, descritos como "colarinhos brancos" e que permeiam por toda a política nacional.

Na liderança das organizações partidárias, estrategistas astutos, velhas aves de rapina que manipulam resultados e fabricam seus monstrinhos para manter o país sob suas rédeas. Escravizado por seu próprios funcionários, o Brasil precisa trabalhar duro, de sol-a-sol para gerar constantemente novos meios de enriquecimento ilícito para esta classe nada "trabalhadora".

Explorando sempre novos esquemas e mercados, até mesmo as tragédias naturais como enchentes, deslizamentos de terra e epidemias, têm se constituído num grande filão, onde as fraudes sobrecarregam o sistema e retornam para as vítimas apenas o descaso que conduz  à morte e à total miséria.

Sentindo-se inatingíveis, ocupando o topo da cadeia alimentar da sociedade brasileira, os partidos e seus políticos são para o crescimento nacional, o que os comandos militares corruptos são para as polícias.

Engessado, o Brasil se esforça para corresponder ao aceno do mundo, enquanto com um dos pés, procura empurrar o lixo para debaixo do tapete, de forma que pareça imperceptível. Mas tudo nesta vida tem um limite. O limite do povo brasileiro é impressionantemente estendido. Não dá pra saber até onde se espalha, e seu estresse é fácilmente controlado com doses homeopáticas de entretenimento.

Manifestações contra corrupção em meio ao Rock'n Rio, são ignoradas sem muito esforço. Afinal desde sempre o entretenimento esteve em primeiro plano. Esta cultura tem sido ensinada pelos nossos governos para que o povo nunca venha a adquirir o hábito de protestar (bem ao estilo grego).

Pra ir mais longe, entre vasculhar as atividades dos gestores públicos e o entretenimento, o brasileiro sempre preferiu o entretenimento. Beber exageradas doses de álcool para, depois da ressaca, descobrir o que foi aprovado no Senado Federal. Então ele liga a TV para saber quem teve o esquema fraudulento mais bem-sucedido e quando entrará em vigor.

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