domingo, setembro 25, 2011

Assad fracassa na tentativa de provocar conflito religioso e étnico.

Cada vez mais unido e mais determinado a ver o fim da tirania no país, o povo sírio se consolidou. Se unificou e se fechou para qualquer proposta de sectarismo. Lições das tentativas passadas, principalmente os amargos fracassos da revolução de 1982 que resultou no massacre de mais de 30 mil manifestantes pelo ditador Hafez Assad, pai do atual presidente que busca usar as mesmas estratégias como seu fiel discípulo. O povo sírio tem se mostrado literalmente blindado contra as investidas particularmente relacionadas ao Hamas, Hezbolah, Iran e o partido Ba'ath.


Vídeo: Cristãos e muçulmanos se misturam num ato de total solidariedade e unidade pelo fim da opressão do regime sírio.


Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 25 de Setembro de 2011 - 10h17min.

As investidas do serviço secreto sírio, inclusive com suporte da agência de notícias estatal, a SANA na tentativa de disseminar sectarismo e guerra civil, esta última opção, como "plano B", não têm apresentado resultados positivos para Al-Assad.

Diga-se de passagem, antes de que a revolução síria saísse às ruas, todas as ações e reações de Al-assad já estavam previstas. Por isto mesmo é que as lições deixadas por Hafez Assad, não serviram só para o atual presidente, mas também para o povo, até como preparação psicológica e estratégica do que estava para vir, assim que a revolução fosse deflagrada.

Enquanto a mídia internacional relaciona a revolução síria às demais revoluções árabes, o povo sírio relaciona sua revolução aos mais de 40 insuportáveis anos debaixo da pressão brutal e avassaladora do governo Assad, que revela total controle de todas as bases do governo, inclusive da oposição política, que ocupa cargos de fachada, para que a comunidade internacional reconheça o regime Sírio como Estado. Mas na verdade é apenas uma força armada de ocupação, opressão militar e domínio sangrento.

As ações camufladas do regime Assad não são novas. Um país considerado dos mais fechados do mundo, tem a revolução como "ladrão" para deixar escapar um pouco da sujeira e da lama que transbordam há décadas de práticas desumanas, terrorismo, corrupção, genocídio, opressão militar contra civis e regras, cujas violações levam à morte, mas que podem ser violadas pelo próprio presidente ou pelas forças de seguranças a seu "bel prazer".

Quando falava sobre as estatísticas de mortos e desaparecidos na Síria, o site da ONG de direitos humanos "syrianrights.org" disse:

"Infelizmente depois de quarenta anos assistindo as piores formas de repressão e abusos, sem qualquer supervisão ou culpabilidade, e, talvez, a ocorrência dos crimes em Hama e Palmyra (presídio), e como eles, sem qualquer cobrança de responsabilidade, nem mesmo uma tentativa de apelar pela justiça para as vítimas destes massacres encorajou o regime no poder na Síria para continuar esta abordagem..."
Estas informações tem sido mantidas longe do conhecimento internacional através do monopólio das comunicações, que só funcionam para atender aos interesses do regime Assad. Agências como a SANA, só divulgam informações que lhes garantem proteção e benefícios.

O regime sírio ainda mantém absoluto controle sobre as ocorrências policiais, jurídicas, políticas, médicas e óbitos. Todas os relatórios são gerados a partir dos interesses do governo, sendo escritos literalmente pelo serviço secreto.

O "syrianrights.org" ainda explica que para que o número de mortos na revolução não chegasse a se igualar ao massacre de Qamishli em 2004 e na prisão de Sednaya em 2008, na casa dos 30 mil mártires, tornou a fuga, uma das formas mais viáveis de resistência e proteção popular, apesar de que os mais velhos são mais insistentes e são mais determinados a morrer em seu próprio lar do que estar vivo em terras estranhas. Na ocasião destes últimos massacres, cerca de 21 mil civis fugiram da Síria indo parar na Europa, afirmou a organização.

Outro dado importante a ser lembrado é que a revolução síria de 2011 que teve seu início oficial no dia 14 de Março de 2011 não aconteceu nesta data por acaso: O massacre de Qamishli se deu no dia 14 de Março de 2004.

Sectarismo

Nos dias atuais, os que resistem ainda precisam lidar com as tentativas de uma guerra sectária por parte da inteligência síria, que na verdade, teve grande sucesso nas últimas revoluções. Foi por este motivo que a tentativa de revolução no ano de 2 000 teve sem primeiro momento de forma pacífica, mas acabou caindo na cilada do "sectarismo", fazendo com que cada tribo ou religioso buscasse preservar sua posição no poder em posse de suas armas de fogo. Foi neste ano que Hafez Assad morreu, meses depois de ter executado todos os líderes do movimento popular pela revolução.

Então, na prática, o regime sírio precisou de muito menos esforço e investimento financeiro do que na atual revolução, afinal os rebeldes se matavam mutuamente.

Esta informação não foi trazida pela primavera árabe de 2011. Veio com a experiência. Com o volume de tentativas e perdas. Veio com o esforço de milhares de intelectuais, pensadores políticos e ativistas, para que a espessa parede de aço blindado que aprisiona o povo sírio e o mantém em completa escuridão e escravidão, que os mantém mergulhados numa piscina de sangue, possa finalmente ser derrubada.

A ajuda internacional tornou-se uma via importante para reforçar esta tentativa que furar o bloqueio sírio. Esta nova informação foi realmente adquirida a partir das revoluções mais recentes. Em suma, a revolução síria não se trata de um movimento da moda. Este é o motivo de estarmos aqui todos os dias mostrando a realidade da síria por de trás da diplomacia.

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