quarta-feira, agosto 31, 2011

Síria prende jornalista um dia depois que entra em vigor a Lei que proíbe prisão de jornalistas

O dia 28 de Agosto de 2011 deveria ser um dia memorável no país. Um dia em que finalmente haveria democracia suficiente para que os sindicatos, empresas e profissionais de jornalismo pudessem exercer com mais dignidade sua profissão. Mas no primeiro dia após a lei ter entrado em vigor, o governo da Síria prende o jornalista econômico Abdul Salam Amer.


Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 31 de Agosto de 2011 - 06h44min.

Enquanto o mundo pressiona a Síria pelo fim do derramamento de sangue inocente, a resposta de Al-Assad é que está determinado a "implementar reformas profundas". Estas reformas simplesmente não existem. Parece que há uma constituição paralela a que é apresentada para o mundo.

A exemplo da Lei de emergência que durou 48 anos e no dia seguinte após ter sido suspensa mais de 400 pessoas foram presas em Daraa e Damasco. Naquela semana foi encontrada duas valas comuns em Daraa no período que esteve ocupada pelo exército sírio. Hoje, mais de 4 meses depois as prisões em massa e aleatórias são diárias e noturnas, para ser bem específico!

Mais de 15.000 pessoas inclusive crianças, mulheres e idosos, advogados, políticos, médicos, ativistas, estudantes universitários e trabalhadores em geral continuam presos. Ainda há os 22.000 militares dissidentes presos. Muitos já foram executados após pesada tortura.

O site DP News em suas várias paginas que tratam da nova lei em "vigor?"  desde o Domingo dia 28 citou a visão do jornalista sírio Haswani Khalid sobre a nova lei:

"Mais instituições de mídia devem ser autorizadas na função de quebrar qualquer monopólio de mídia  ... Falar em inglês nos meios de comunicação deve ser licenciado com o objectivo de transmitir a voz e imagem da Síria para o Ocidente de uma forma cultural"
Jornalista Abdul Salam Amer
preso em 29-08-11.
no Dia do Eid Al-fitr
O site de notícias estatal SANA comentou:
"Por sua vez, o jornalista Abdul Salam Amer salientou a necessidade de que a nova lei deve reviver o papel da União Jornalista na defesa dos direitos dos jornalistas, a definição de critérios adequados para o trabalho de mídia e criação de tribunais independentes que são especializados em questões de jornalismo."
Isto é mais que prova de que as propostas de reforma do governo sírio não são sérias. Sérias mesmo são as incursões nos bairros, os bloqueios dos acessos às cidades, a mortandade de civis de todas as idades, classes sociais e religião, a situação de carência humanitária no país, os direitos humanos violados, as desgraça que assola os hospitais, escolas e lares.

Em sua análise sobre a situação da crise na síria e as abusivas prisões a HRW ( Organização Mundial dos Direitos Humanos) na voz de Meenakashi Ganguly que é diretora da Human Rights Watch do Sul da Ásia lamentou:

"a delegação do IBAS (Índia, Brasil e África do Sul) esteve em Damasco mas ficou  impossibilitada de viajar ao redor e ver por si mesmo a evidência da brutalidade do governo em Hama, Daraa e Deir ez-Zor, ou para visitar centros de detenção transbordando na Síria. Em vez disso permitiram que a Síria se escondesse por trás do que ela afirma ser "interferências estrangeiras e as campanhas enganosas de mídia", Human Rights Watch acredita que IBAS deve pressionar a Síria para cumprir com a demanda do Conselho de Segurança para acabar com os ataques contra os manifestantes pacíficos e cooperar plenamente com o Gabinete do Alto Comissariado para os Direitos Humanos, que vem investigando os abusos e violações na Síria."
Para explicar a falta de reação dos três países que compõem o IBSA Meenakashi Ganguly disse:


"Enquanto uma declaração da IBSA disse que a delegação havia pedido o fim imediato de toda a violência", e recomendou "o respeito pelos direitos humanos e direito internacional dos direitos humanos", o governo sírio prontamente retratou a visita de forma diferente. De acordo com a Agência de Notícias Árabe Síria (estado da Síria media organização), a delegação concordou que havia uma "campanha visando a Síria no Conselho de Segurança da ONU", e tomou uma posição firme contra qualquer ingerência nos assuntos internos da Síria.
É um problema que muitas vezes surge quando se envolver com governos abusivos."

Toma na cara Brasil!

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