quinta-feira, agosto 18, 2011

Síria: Os trunfos de Assad - Violentos ataques a Latakya fazem multidões fugirem para a Turquia.

O desespero da população síria diante de uma inigualável aniquilação liderada por seu próprio presidente tem cruzado as fronteiras da loucura e da tragédia. As forças de segurança no dia de ontem foram apoiadas por pelo menos 200 tanques e prosseguiram na caçada cega por habitantes.


OBS: A alegação da suspensão das atividades militares em Latakya nesta Quinta-feira pelo presidente Al-Assad é falsa. O cenário atual é informado na matéria a seguir.


Noria in Hama, Syria - cortesia: "Alessandra Kocman"
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 18 de Agosto de 2011 - 06h27min. Atualização: 09h39min.

 Um grande número de guardas ligados a Al-Assad que são membros da tribo dos "Shabeeha" se espalharam pelas redondezas da fronteira com a Turkia em busca de fugitivos. O acampamento de refugiados palestinos foi atacado e há notícia confirmada de 3 mortes mas o número pode ser maior. Uma nota urgente foi emitida ontem no meio da noite de que os bandidos de Al-Assad estavam destruindo todos os documentos dos refugiados.

Grupos de pró-Assad infestaram as página da UNRWA
com muitas ameaças em nome de Al-Assad.
De acordo com testemunhas oculares, na noite de ontem as forças de segurança atearam fogo no prédio do campo de Refugiados Palestinos de Al Ramel. Os palestinos e os moradores de Latakya viveram mais um dia de perseguição e morte. Muitos tiveram suas documentações confiscadas, além de bens materiais, casas invadidas com o arrombamento das portas e muitas prisões. O estádio esportivo da cidade foi transformado num gigantesco campo de concentração a exemplo de Daraa há dois meses. Segundo Ahmad, membro da organização dos Direitos Humanos da Síria, os presos são obrigados a posar para fotos que serão usadas em campanhas internacionais "pró-Assad". Seus documentos são destruídos e ficam aguardando nova emissão deles. Esta estratégia também fará com que refugiados palestinos presos terminem sendo identificados como sírios o que fará deles presas legítmas nesta caçada desumana.

Enquanto isto vários pró-Assad foram percorrendo as páginas do Facebook tentando desmentir os ataques. Eles entraram em grande número nas páginas da UNRWA e rebateram a todas as reclamações e denúncias, procurando enfraquecer a pessoa que deu a informação. Na imagem ao lado há comprovação até de ameaça para que a UNRWA não cruze a fronteira da Síria.

Surpresos com a violenta resposta de Bashar Al-Assad contra as demandas populares ao ponto de decidir aniquilar a população da Síria completamente, o povo sírio que antes desejava vencer a batalha sozinho, agora pede socorro. Desesperados e cansados de tanta maldade, eles pedem por intervenção militar. A entrada do Iran no conflito foi o ponto chave para que o povo da síria pedisse socorro para os países árabes. A agência de notícias da Síria "SNN" chegou a publicar uma amostra desta realidade em sua página do Facebook:

"Agora, tornou-se um confronto claro e aberto, bem como o Irã assumiu o papel chave na repressão do povo sírio e insistem na violência e no derramamento de sangue para a casa de obediência a este sistema, que é cerca de um Estado árabe central e essencial para um mero peão no tabuleiro do Irã, e um mero número na equação " Safavid » É essencial que haja coordenação de emergência e rápido, se não por todos os árabes, pelo Reino da Arábia Saudita e os países do CCG e da Jordânia e dos outros. Deve haver nenhuma interferência, sim intervenção; porque a conexão procedimento da Síria, neste caso, é um assunto interno de cada um dos países vizinhos e adjacentes ao país para evitar o abate dos sírios, até mesmo recorrer à força!"
O site Alrabya trata o envolvimento do Iran com grandes detalhes históricos, mostrando que o Iran tem interesse no retorno do poderio do império Persa. Ele fala que o Iran enviou além de armas e dinheiro,  especialistas em quebrar revoluções populares da Brigada "Ashura" e citou os líderes Mousavi, Karroubi e Khatami Mohammad, também os oficiais das forças "Quds" liderados por Qassem Soleimani. Segundo Alarabya todos estes especialistas estão à serviço de Al-Assad em Damasco.

Esta estratégia visa a volta dos tempos de violência para gerar a obediência incondicional. Neste processo a comunidade árabe está completamente apática enquanto o Iran esforça-se para assumir o controle do Oriente Médio ampliando suas bases para Latakya onde pretende instalar uma base naval. Assim Al-Assad estaria se mudando para Latakya juntamente com toda a sua família. Latakya é o maior reduto de Alawitas.

Ahmad Joma é membro da Organização dos Direitos Humanos da Síria. Ele descreve os ataques em Latakya como uma forma de expulsar os habitantes atuais com o propósito da criação do "Reino da Costa". Há comprovação de que até mesmo os habitantes das regiões rurais de Latakya estão tendo suas propriedades confiscadas e famílias inteiras estão sendo expulsas de suas fazendas.

Em sequência ao processo de "limpeza" de Latakya Ahmad revela que o governo sírio tem feito transferência de seus ativos para a cidade de Qerdaha e a transferência de suas armas consideradas avançadas e sensíveis para a região montanhosa. Ele informou que Al-Assad ordenou a evacuação dos campos de refugiados de  Raml e Sakunturi alertando que se saíssem por vontade própria não seriam "alvejados como inimigos".

De acordo com as Organização Nacional para os Direitos Humanos na Síria, por meio de Ahmad, fomos informados de que as regiões de Raml, Qnaines, Slaiba, Qalaa, Samakeh Bustan, Seidawi, Hamami, Tamra ain, e Tabiyyat  foram praticamente evacuadas e que mesmo durante a fuga, muitos foram atacados por atiradores com todos os tipos de armas, inclusive explosivos.

Ahmad faz um relato horripilante de que as forças de segurança estão ameaçando enviar os "Shabeeha" para estuprar as mulheres de Hama caso hajam novas manifestações. Já o site turco "aydinlikgazete" apresenta um relatório de que membros das tribos das forças de segurança pró-Assad violentaram 400 mulheres nos campos de refugiados da Síria em Hatay.

Cortesia: "DVIDSHUB"
De acordo com a notícia, das 400 mulheres que sofreram violência sexual, 250 estão grávidas. Esta é a razão para que mais da metade das mulheres que estavam nos acampamentos voltaram para a Síria no mês de maio e o que explica que a Turquia havia proibido o acesso de jornalistas aos acampamentos de refugiados sírios.

A história é complexa e por sugiro que leia este artigo na íntegra que está no idioma local.

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