sábado, agosto 06, 2011

SÍRIA: Hama: Corpos espalhados ou enterrados por toda parte. Um açougueiro humano.

Desde o início dos protestos em 15 de Março é que milhares de pessoas têm sido sequestradas, presas e mortas. Calcula-se que os presos e desaparecidos estejam na casa dos 15 para 16 Mil. A contagem dos mortos oficial  parou em 1600 há semanas. Só nesta semana no mínimos 600 pessoas foram mortas em toda Síria.  Com os velórios proibidos e os cemitérios tomados por forças de segurança, chegou a hora de enterrar os mortos nos quintais e nas praças públicas.




Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 06 de Agosto de 2011 - 20h00min.

A estratégia de massacre do regime de Assad tende a ser cada vez mais desumana e irracional. Depois de posicionar franco-atiradores nos telhados com carta branca para matar qualquer pessoa que ouse sair de casa, o regime passou a utilizar os tanques de guerra para atirar nas casas das pessoas enquanto elas estão ainda em seu interior.

As torturas foram ganhando requintes de crueldade e hoje em dia nem recém nascidos escapam.

Para cada morto ou ferido nas passeatas sempre há um grupo de suporte para resgatar os corpos e feridos do meio da multidão, organizados com a equipe que transportava as vítimas para os hospitais, ou para postos de emergências médicas montados em residências.

Agora toda vez que alguém tenta socorrer um ferido é fuzilado juntamente. Os que transportam alimentos, remédios e ajuda humanitária são barbaramente executados.

Os hospitais precisam conviver com a falta de energia elétrica, os geradores de eletricidade sabotados, o assédio dos terroristas do governo, que batem, espancam humilham, prendem e matam médicos e enfermeiros por socorrerem os feridos nas manifestações ou os soldados dissidentes.

Nesta semana que passou houve um incêndio criminoso na prisão central. Muitos presos foram carbonizados e não eram criminosos, apenas manifestantes ou políticos de oposição. Não há informação de identificação ainda das vítimas.

O crescente ataque do exército às vilas, aldeias, cidades e áreas rurais de forma sistemática tem obrigado os sobreviventes a enterrarem seus mortos nos quintais de suas próprias casas ou...

Uma testemunha ocular disse hoje em Hama:
"Não há nenhum parque ou área vazia sem mártires. Os distritos da cidade são cortados por tanques e veículos blindados, com a presença do exército com listas de prisão, onde ele começou a prender com base nas listas desde a tarde de quarta-feira".

Reação internacional

Existem as reações internacionais públicas e as reações internas. No momento a opinião internacional está em silêncio, após o Conselho de Segurança das Nações Unidas ter enviado um aviso para que Assad pare de matar e torturar os povo sírio. Mas a verdade é que este silêncio está sendo apenas aparente. Os governos do mundo inteiro estão se reunindo, conversando por telefone e cabos diplomáticos.

Dois dias depois do alerta enviado pelo Conselho de Segurança para a Síria, a ONU volta a fazer novo alerta com base nas informações de que só no dia de ontem no mínimo 100 pessoas haviam sido mortas cruelmente por forças militares na cidade de Hama.

Em um comunicado de imprensa intitulado: "A Síria deve parar de usar estratégias violentas contra civis, agora", para o que  a equipe de Direitos Humanos da ONU chamou de "Repressão inabalável".

"Nós continuamos a receber relatórios sobre o uso sistemático de força excessiva, resultando em mortes e lesões; alegações de tortura, desaparecimentos forçados, prisões e detenções arbitrárias de manifestantes; alvo dos defensores de direitos humanos; e limitações injustificadas à liberdade de reunião pacífica e de expressão", denunciaram peritos independentes.

Na verdade, nenhum alerta pode fazer parar a fúria de Al-Assad agora. Assad só reconhece a violência como meio de comunicação e seus ouvidos estão insensíveis para ouvir qualquer alerta. Assad só consegue ouvir os gritos da multidão cantando "musiquinhas irritantes" aos seus ouvidos dizendo: "As pessoas querem derrubar o regime." Isto faz com sua fúria seja incontrolável e além de saber que já fez sua escolha e que não há como voltar, ele quer que não sobre "pedra sobre pedra que não seja derrubado" para que ninguém consiga administrar um país desertificado. Um cemitério nacional.

Homs: Milhares choram mártir Abdel-Gawad, Sibai no campo e gritando: "as pessoas querem derrubar o regime" e "maldição tua alma, Oh Hafiz". "facebook"
Apoio Russo

A Rússia já alertou no dia de ontem que o Conselho de Segurança poderá atacar o exército sírio independente do seu voto de oposição ou de permissão. Segundo Dmitrji Rogozin, o representante da Rússia no Conselho de Segurança das Nações Unidas, a exemplo do que aconteceu na Líbia, a Síria está sujeita ao ataque militar pelo Atlântico, acusando os EUA de "manipulação da ONU para interesses próprios."

De acordo com o site italiano "rinascita" apesar desta declaração, o representante completou: "A Rússia irá resistir a qualquer cenário militar". Mas especialistas acreditam que a Rússia não tem mais forças para impedir uma ação militar do Conselho contra a Síria, após ter permitido o alerta máximo do Conselho para o governo de Al-Assad.

Independente de intervenção militar da NATO ser uma realidade ou uma ambição, os EUA e a União Européia estão trabalhando duro na criação de um pesado pacote de sanções contra o regime de Assad. - confirmou o site.

Massacres sem intervalo

Independente de qualquer coisa ou comunicado, Bashar Al-Assad não muda sua estratégia. Milhares de soldados e tanques espalhados pelo país destruindo a tudo e todos.


Além dos manifestantes, os hospitais têm sido alvos secundários das forças de segurança no país que se tornou na última semana num gigantesco "açougueiro humano".

O CCLS (Comissão Local de Coordenação da Síria) disse que hoje (06/08/11) o número de mortos em Hama pode ter ultrapassado os mais de 100 do dia de ontem, dado o volume de feridos e mártires que tiveram seus corpos apreendidos pelo exército.

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