terça-feira, agosto 30, 2011

Documento secreto vazado revela estratégia síria para impedir revolta.

Um documento de 3 páginas altamente secreto foi extraviado e caiu nas mão de um grupo de ativistas de direitos humanos da Síria. Estes documentos escritos pela inteligência e o governo sírio para orientar os comandos militares em seus onze níveis, qual o procedimento a seguir em função dos primeiros sinais de revolta que surpreenderam o mundo árabe.


Top Secret - Cortesia: "Michelangelo Carrieri"
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2011 - 09h02min.
Atualizado 14:19min.


NOTA: Eu sei que o Google Panda vai me atacar mais uma vez, mas acontece que estes documentos são de interesse mundial e o uso, bem como a distribuição total ou parcial são autorizados pelos escritores do site.

De acordo com os ativistas que tiveram estes documentos nas mãos, eles foram escritos pela Direção-Geral da República Árabe da Síria e pelos Serviços de Inteligência.

O documento traduzido inicia desta forma:

"Direcção-Geral dos Serviços de Inteligência / Top Secret
Plano de execução:
Assunto:
Há um sentimento crescente entre um grupo específico com o objetivo de imitar o que aconteceu na Tunísia e Egito, fazendo uso das atuais condições econômicas do estado e do ambiente internacional, que atualmente é de suporte a movmentos populares. Este sentimento pode aumentar depois do que aconteceu na cidade de Dar'aa há poucos dias."
Logo a seguir o documento destaca a importância de estudar os pontos fracos dos regimes que foram derrubados pelas demandas populares recentemente, lembrando que a guarda republicana ficou desarticulada e houve a permissão de que os meios de comunicação cobrissem os fatos, tornando as revoluções fora do controle destes regimes.

A passo a seguir seria o Plano de Ação para desestruturar e confundir as informações:

"Ligar os protestos com personalidades que são detestados entre o público da Síria, como personalidades conhecidas da Arábia Saudita e Líbano [possivelmente aludindo a 14 de março] e conectar todas elas com o sionismo e os EUA."
Além de acusar os manifestantes de estarem sob a influência de Israel, o documento abre claramente a questão do assassinato de manifestantes:

"No caso de assassinatos, a célula de segurança devem repetidamente acusar gangues armadas ou radicais, e afirmar que o aparato de segurança e o exército estão a contribuir para a proteção da estabilidade da ordem, e as pessoas."

Eles iniciam o terceiro passo orientando que as religiões devem ser citadas e incitadas umas contra as outras:

"Campanha de mídia indireta na TV e de propriedade privada canais sobre conflitos sectários / desordem, medo e incutir da Irmandade Muçulmana em cristãos e drusos, advertindo-os das represálias que poderia enfrentar por eles se eles não participaram em acabar com os protestos. Contando com a Alawitas nas regiões costeiras, para que possam defender o "seu" regime e vidas, que vão ser ameaçados pelo radicalismo sunita."
A "cartilha da opressão e da tirania" como quero chama-la orienta que forças de algumas forças de segurança devem agir dentro do Facebook, desmentindo e descaracterizando qualquer denúncia ou informação relevante relacionada aos protestos. Sobre a mídia é ainda mais agressiva:

"O anúncio de instruções estritas do Ministério da Educação para "alertar" as escolas e alunos sobre o uso da Internet e Facebook."
"Proibir todos os meios de comunicação de ir aos lugares de agitação, e punir qualquer difusão de qualquer notícia que não serve ao Estado - e não mostrando qualquer tolerância nesta matéria."

As empresas de telefonia também foram acionadas e monitoradas. Artistas obrigados a prestar depoimentos pró-Assad e o mais impressionante: O documento ensina a reunir os filhos e familiares dos funcionários do governo a se reunir aos exército em demonstrações públicas de amor a Al-Assad e ainda a utilizar sirenes do tipo de ambulâncias para provocar temor nos manifestantes.

"Instruir o ramo "Segurança da Informação" na administração e no centro para estudos científicos para cooperar com as duas operadoras de telefonia celular para monitorar o celular e telefones fixos de algumas personalidades esperadas e conhecidas "inciteful e oposição."
Para impedir o participação de muitos jovens na revolução, a estratégia era um decreto de "Recrutamento Geral" para as forças armadas (há relatos que neste processo, pelo menos 700 recrutas foram executados por se negarem a fazer parte do sistema).

O documenta cita o nome de duas empresas de segurança "Serba" e "Souda":

"...para usar snipers dentro dessas empresas de uma forma não-aparente para evitar a localização da fonte do fogo - também para aumentar a cobertura: Não há nenhum problema em matar algumas unidades e oficiais da exército, já que esta é útil para aumentar a animosidade do exército para os manifestantes."


Daqui para frente, o documento fica cada vez mais ousado:



"- Isolamento do local com segurança e exército forças, e cortando a eletricidade, comunicações e internet.
- Prender algumas personalidades influentes a partir deste lugar, e se a situação é crítica - matá-los.
- Fazendo uso de alguns contrabandistas e criminosos, inundando o lugar com eles e criando um estado de caos.
- O envio de forças de segurança treinado em roupas civis para o local dos protestos, que devem tentar convencer os manifestantes de usar armas contra o exército e forças de segurança."

Quando se fala em pronunciamento presidencial a ordem é:

"Atrasar o discurso, tanto quanto possível, como esse atraso é uma expressão do poder do Estado e sua imunidade para os eventos atuais."

Sobre diplomacia a ordem é grave:


- Instruir embaixadas da Síria no exterior, bem como o Ministério das Relações Exteriores para tranquilizar os EUA e os países europeus, e lembrando que a frente Golan pode ser sensível a instabilidade se os radicais tiverem sucesso e ganharem o controle.
- Instruir a embaixada da Síria em todos os estados para monitorar os sírios e seu comportamento - o ministério das Relações Exteriores está agindo nesta matéria.
- Preparar as equipes de segurança e meios de comunicação para a implementação o mais rapidamente possível e como secretamente possível.

 Este documento na íntegra foi publicado no site sírio "intercom.gs".

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