domingo, julho 31, 2011

Rebeldes tomam Brega industrial e esperam achar Anton Hammerl morto em 05-04-11

Anton Hammerl - Cortesia:
"Free-photographer-Anton-Hammerl"
As notícias sobre a situação do fotógrafo sul-africano Anton Hammerl só foi divulgada seis semanas depois de sua morte. Segundo testemunhas oculares em entrevista à BBC, eles assistiram ao exato momento em que Hammerl foi morto, no dia 05 de Abril, que segundo contaram, os seus ferimentos eram tantos que seria humanamente impossível que tivesse sobrevivido.


Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 30 de Julho de 2011 - 19h29min. Atualizado 31-05-11 as 09h11min.


"Todas as imagens foram gentilmente cedidas
pela família Hammerl da página oficial da campanha:
Free-photographer-Anton-Hammerl"

A agência BBC da África noticiou a morte do fotógrafo no dia 20 de  Maio deste ano. A agência contou que as testemunhas oculares disseram que a região onde ele foi morto era extremamente remota de Brega industrial, e foi executado no momento em que um grupo de repórteres foi surpreendido por forças pró-Kadafi, quando estava indo para o front fazer a cobertura da batalha.

A divulgação da notícia foi feita diretamente por seus familiares às agências de notícias, na época e até então eles não tinham mais notícias de Anton Hammerl.

De acordo com o depoimento de familiares do fotógrafo à BBC, o governo da Líbia garantiu que Hammerl estava vivo, mas os repórteres que estavam no local testemunharam a sua morte.

A BBC citou o depoimento de um repórter que disse:
"O sr. Foley disse que Tudo aconteceu em uma fração de segundo", ele foi citado pela GlobalPost como dizendo. "Pensávamos que estávamos no meio do fogo cruzado. Mas, finalmente, percebemos que eles estavam atirando em nós. Você podia ver e ouvir as balas batendo no chão perto de nós."
Um dos jornalistas disse que os quatro companheiros de profissão pularam no chão quando perceberam que estavam sendo alvejados, menos Hammerl que já havia sido atingido.

Este foi o último dia que foi visto. O governo da Líbia prometeu por diversas vezes que o fotógrafo seria libertado em poucos dias, mas os repórteres que conseguiram sair da Líbia contaram a verdade.

Esperança

Senhora Freda Hammerl colocando um
laço amarelo em sua casa, que representava
a campanha pela soltura de seu filho.


19h49min: Notícias ainda recentes de que a região industrial de Brega acabou de ser tomada pelos rebeldes. Com isto as esperanças de que o túmulo de Anton Hammerl seja encontrado cresceram  impressionantemente.


Como a batalha é recente estamos aguardando as informações chegarem do front com boas notícias em breve. 

Família e amigos

Em sua página no Facebook (Free-photographer-Anton-Hammerl), perto de 3000 parentes e amigos aguardam ansiosamente por notícias.

Anton Hammerl era sul-africano de pais austríacos e vivia no Reino Unido. Como a Líbia garantia que ele estava detido, milhares de pessoas investiram em campanhas pedindo a sua libertação, e nunca haviam sido informados oficialmente de sua morte.

Triste e decepcionados, parentes e amigos tentam entender porque haviam sido enganados durante tanto tempo...

Árvores marcadas
na porta de sua casa
na Rua Penny Street em
Londres.
A senhora Freda Hammerl disse na página oficial de Anton que estava decepcionada com a Líbia, porque a notícia da morte de seu filho só chegou por meio dos seus colegas de trabalho e não pelo governo.

Eles investiram tempo e dinheiro na campanha que a Líbia sabia que não valia de nada.

A foto ao lado é só um pequeno exemplo. Em todas as árvores, da rua Penny em Londres, portas, portões, antenas de rádios em automóveis e nas motocicletas haviam faixas amarelas que representavam um pedido para que Hammerl fosse solto da prisão, como a Líbia havia dito.
De acordo com a BBC africana ainda:
"O governo líbio tinha dito apenas na terça-feira que o Sr. Hammerl - um Sul Africano com os pais austríaco que viveu com sua esposa em Surbiton, sudoeste de Londres - seria libertado junto com os outros."
Da esquerda para direita - Jim, Clare, Manu, and Anton atacados
em Brega. Eles estavam detidos sob a acusação de entrar ilegalmente
na Líbia.
Acontece que "todos os outros" foram libertados e trouxeram a triste realidade para aquela família, coisa que o governo da Líbia já sabia e se omitiu.

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