quarta-feira, junho 29, 2011

Síria: Exército nas entradas, Guardas nas ruas, Serviço Secreto nas casas

O Exército - Atirar contra já não tem conseguido manter o povo longe das ruas e muito menos longe das grandes massas de manifestantes. Então o regime criou um nova estratégia: Incendiar carros e motos dos populares para que ao ser interrrogado possa justificar o exército nas ruas, como sendo um ato de vandalismo. Isto também é para impedir que pessoas sejam socorridas por manifestantes em seus carros e motos, como já foi provado antes.




Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 29 de Junho de 2011 - 19h54min.

Com as estradas bloqueadas por barricadas e blindados, as pessoas não podem deixar o bairro sitiado e nenhum tipo de socorro consegue chegar aos grupos isolados. Inúmeras barreiras de segurança que subdividem os bairros em pequenos quadrantes impedem que qualquer pessoa consiga sair da localidade onde mora.

Nos últimos dois dias as agências de notícias têm levantado discussões e comparações dentre revoluções e revoluções. As que foram bem-sucedidas tiveram a importante participação do exército, como o caso da Tunísia e do Egito. Em contra-partida, as que foram mal-sucedidas ou não conseguem ter uma resolução, têm a participação do exército como arma de repressão.

Percebendo que o sucesso ou fracasso de uma revolução árabe está ligeiramente ligada à posição tomada pelo exército, líderes e jornalistas do mundo inteiro têm chegado à conclkusão de que sem o apoio do exército será impossível de se ver o fim glorioso para a primavera árabe.

Enquanto tem o exército ao seu lado, o regime opressor se vale desta ferramenta poderosa para atacar os civis e suas casas.


As Forças de Segurança

Enquanto isto em cada esquina diferentes níveis de forças de segurança se misturam e formam espécies de gangues pró-regime. Se o exército é uma poderosa ferramenta para sufocar ou tornar uma revolução inviável, as forças de segurança procuram evitar que as pessoas se encontrem e estejam juntas, para isto, a imposição do toque de recolher que dura 21 horas do dia e pesadas restrições de acesso às ruas mantém as pessoas dentro de suas casas, sob pena de serem fuziladas na porta de casa por atiradores escondidos nos telhados ou nas esquinas.


O Serviço Secreto

Ilhados em suas próprias casas, é hora de receber vistas. Sem serem convidados, os agentes do serviço Secreto invadem casas, torturam pessoas e as castigam em busca de respostas. Eles querem prender os líderes do movimento. Aqueles que respondem pela organização ou pela coordenação e estratégia de todos os cem mil sírios que saem para protestar, organizados e fazendo as mesmas exigências nos mesmos dias e  nos mesmos horários.

Sem o Serviço de Inteligência, as torturas seriam inúteis. Se o exército é decisivo para uma revolução, a forças de segurança para manter as pessoas em prisão domiciliar, o Serviço Secreto é para extrair informações que o leve  a prender os 64.000 ativistas, revolucionários e agitadores.

Regime de Sangue

Juntos, Exército e mais 11 níveis de Forças de Segurança e 5 níveis de Serviço secreto percorrem as regiões "afetadas" pela rebelião em pesada campanha para dizimar... o indizimável.

Será necessário matar quase a totalidade da população para chegar perto de ver um fim para a revolução. Se   o volume das massas de manifestantes é o oxigênio que alimenta as forças militares de opressão, o sangue dos mártires e de seus parentes feridos ou torturados, e seus bens apreendidos ou destruídos aumentam  desproporcionalmente o ódio e a força para que estas pessoas desafiem os perigos iminentes e até mesmo a morte para "pedir", não: "ordenar" o fim deste regime e de todas as possibilidades de regimes similares voltarem a se estabelecer no país de seus filhos e netos!

Enquanto no Marrocos a mais pacífica das manifestações visa a manutenção da monarquia com o mesmo monarca e apenas modificando a regras aos modos europeus de monaquia, são enrolados e ludibriados pelos políticos no poder que sabem que para que as exigências populares sejam literalmente atendidas terão que sacrificar seus empregos e posteriormente serem submetidos a investigações sobre crimes políticos, financeiros entre outros.

Mas esta revolução poderá mudar de postura com o prolongar do tempo. Quanto mais o povo se sentir enganado mais intensas e profundas serão suas exigências até chegarem ao mesmo ponto que a revolução egípcia, líbia e síria chegaram: "Por falta de capacidade de atenderem as exigências básicas da sociedade, seus cargos devem ser postos à disposição do povo."

Armados ou não. Mesmo que as respostas e resultados favoráveis demorem ou cheguem na velocidade da luz este é o tempo da igualdade e não há democracia em regimes militares tradicionais, nem em monarquias milenares. Despreparados, estes líderes não pensam em abrir-mão de seus impérios nem de suas fartas contas bancárias, mas o desapego acabará vindo, quando forem submetidos aos conselhos de ética, tribunais federais e internacionais.

Os países Árabes têm o trunfo do Islamismo, pelo fato de que para eles, a morte é o momento mais feliz da vida de um homem. Por isto muitos ainda morrerão com alegria até que os regimes sejam finalmente postos abaixo.

Os países de fé predominante não-islâmicas farão sacrifícios menores e evitarão a morte a qualquer custo, o que tornará este um fator favorável para a manutenção dos regimes e ditaduras, como é o caso da China, por exemplo, mas isto também poderá mudar.

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