quinta-feira, junho 23, 2011

Japão: Depois do Tsunami de 11-03 onda de suicídio é crescente - Por Saulo Valley

Quem "presenciou" por intermédio da mídia em tempo quase real o tsunami que varreu a costa noroeste do Japão, já pode sentir uma parte ínfima da dor que estes milhares de amáveis asiáticos sentem até hoje. Vindo de uma cultura milenar onde o "Arakiri" é um suicídio cometido quando o japonês se encontra envergonhado e destituído de honra, dá pra entender o motivo desta auto-violência que tem crescido tanto no país...


Arakiri - Foto de Okinawa Soba
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 23 de Junho de 2011 - 08h00min.


Cada suicida tem seu próprio motivo em particular, mas as tragédias do dia 11 de Março são o um ponto em comum.

 Todos os dias ouve-se novos casos de suicídio por pessoas que se sentem culpadas por estarem vivas e seus entes queridos mortos.

Há casos em que se matam por não encontrar uma possibilidade para reconstruir o que gastaram anos. Há situações de propriedades, culturas e posses que vieram sendo construídas com o passar de centenas de anos, passando de mão em mão por toda a árvore genealógica, até chegar até o fatídico dia 11 de Março...

No dia 10 de Junho, o governo japonês levantou esta preocupação que foi publicada pela AFP. Segundo as autoridades, os sobreviventes da tragédia estavam sensíveis a distúrbios psicológicos que poderiam levá-los ao suicídio.

Depression - Foto de "uzaigaijin"
Segundo a AFP o tradicional relatório anual de suicídios recebeu uma área de destaque exclusiva para as vítimas de 11/03. O relatório mostra que estas pessoas estão vulneráveis ao "estresse, choque e depressão das perdas esmagadoras. Eles também podem se sentir culpados por escapar da morte." revelou.


Depois de cidades inteiras terem sido varridas pelo tsunami neste dia, ainda mais de 23 mil pessoas estão desaparecidas.

De acordo com as estatísticas, a taxa de suicidio no Japão chega a 25 por 100.000 ultrapassando de longe o segundo lugar mundial que é os Estados Unidos com 11 por 100.000.

Tohoku Terremoto e Tsunami - Foto de dugspr — Home for Good
De acordo com a AFP ainda 91 mil pessoas permanecem nos abrigos e não tem paradeiro. O site japan Times  citou  as palavras do oficial municipal Hideki Yamazaki da prefeitura de Kamaishi:

"Estamos tentando mover as pessoas para casas temporárias mais rapidamente possível, mas há uma preocupação de que a transferência repentina da comunidade e do convívio individual poderia ter conseqüências ainda mais graves", disse Yamazaki.

Deslocar estas pessoas para casas novas casas onde poderão se sentir mais isoladas e abandonadas, pode significar um grande erro, diz o oficial.

A equipe do entrevistou "japan Times" entrevistou um senhor de 82 anos sobre a possibilidade de ser levado para uma nova casa e ele comentou:

"Estou sozinho aqui, mas as pessoas neste abrigo não me fazem sentir sozinho"... "Sou grato pela oferta de um lugar para mim, contanto que eu tenha essas pessoas próximas."
Tohoku Terremoto e Tsunami - Foto de dugspr — Home for Good
 Segundo dados da polícia local para o site, os mais de 30.000 relatos de suicídios anuais no japão poderão ser superados em 2011, tendo notado que em Maio de 2011 houve um aumento de 20% em relação ao mesmo período de 2010.

Novos temores e tremores


Nesta madrugada repetidos tremores abalaram o solo japonês, sendo que às 05h55min da madrugada de hoje (23) o tremor de categoria 7.0 foi registrado e houve um novo alerta de tsunami, o segundo em menos de 24 horas.

Segundo a entrevista ao "japan Times" com Sen Hiraizumi, diretor do Hospital Provincial, em Iwate Yamada, o especialista explica que os japoneses não tendem a buscar ajuda para problemas psicológicos ou psiquiátricos. Normalmente são fechados e não conversam. Caso que explica o motivo de em Yamada nunca ter havido uma clínica psiquiátrica antes, disse ele, afirmando ainda que o Ocidente está muito à frente do Japão neste assunto.

Sentimentos como angústia e depressão são acultos, principalmente por parte dos idosos que não querem ser pesados aos outros. - explica.

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