domingo, maio 29, 2011

Síria: Estudante descreve para a Anistia Internacional as torturas que sofreu.

Um estudante universitário de 25 anos contou para Anistia Internacional que ele e seu pai de 73, foram presos dentro de casa. Em uma carta, ele descreveu o pesadelo que viveu logo depois deste incidente...


Fonte: theodorearz
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 29 de Maio de 2011 - 09h42min.


O rapaz, cujo nome não foi informado contou que forças de segurança, que haviam sitiado a cidade de Banyas no dia 08 de Maio, haviam pedido que fossem até o ônibus da segurança para simples conferência da validade do documento de identidade.

Ele conta que juntamente com eles haviam muitos outros homens e meninos que haviam sido retirado de suas residências até o local onde as forças estavam mantendo uma espécie de base operacional composta por cerca de 5 micro-ônibus da marca Toyota, um da marca Mazda e outros veículos militares.

Fonte: theodorearz
O site levantnews" publicou a carta na íntegra no dia 27 deste mês.

Eram cerca de 17:00 horas. O rapaz conta que após uma breve seqüência de humilhações sofridas dentro do ônibus, como vários homens que tiveram seus cabelos raspados aleatóriamente, inclusive ele mesmo. Assim que o ônibus começou a se deslocar, todos os presos tiveram seus olhos vendados e suas mãos amarradas com fios. Ele conta que a sessão de espancamentos iniciou nesta hora.

Foram conduzidos até o Estádio de esportes Corniche Road no Banyas. No local encontraram centenas de pessoas na mesma situação. Os guardas ordenaram que ficassem de joelhos e que todos ficassem juntos, perto do jardim do estádio aberto.

O soldados vestiam uniformes camuflados e os seguranças uniformes de cor verde. Este iniciaram o espancamento coletivo. Com os coturnos, pisavam nas pessoas, chutavam e batiam com cacetetes e outros tipos de pedaços de madeira.

O jovem contou que um deles pisou na sua cabeça até que seu rosto chegasse bem rente ao chão. Então o soldado perguntou:

- Quem é o seu mestre?


 - Bashar Al-Assad - respondeu o jovem.

Então o soldado se dirigiu o seu amigo ao lado e fez a mesma coisa, só que pressionou a cabeça dele contra o chão até que o sangue do nariz começasse a jorrar e em seguida fazendo a mesma pergunta:

- Quem é seu mestre?

Antes que ele ouvisse a resposta do vizinho, um outro soldado veio correndo de longe e iniciou uma seqüência de golpes violentos contra os prisioneiros.

De acordo com a carta, a sessão de tortura durou cerca de 2 horas e eles ficaram de joelhos durante todo este tempo, sem direito a ir ao banheiro, água, comida e só sofrendo espancamentos e humilhações.

A seguir um dos soldados disse que deveriam aguardar o registro de seus nomes. Neste tempo três outros soldados se aproximaram e iniciaram nova seção de espancamentos inclusive com o uso de madeiras usadas na construção civil.

Depois de horas aguardando o registro dos nomes, foram conduzidos aos vestiário de atletas, no interior do estádio. Amontoados em diversos alojamentos, sofreram novas seções de espancamentos.

Alí ele presenciou espancamentos de seus amigos, parentes e vizinhos. Ele relatou que um dos médicos que trabalhavam no hospital local e serviços sociais, apanhou tanto que teve a mão fraturada. Um jovem de cerca de 15 anos foi torturado por queimaduras de isqueiro dentre outras "técnicas" brutais. Os guardas diziam que o pessoal de tratamento hospitalar eram "terroristas".

Por volta das 23:00 horas um oficial Sênior entrou no alojamento e ordenou o fim do espancamento.

Depois de passarem a noite dormindo uns sobre os outros, foram encaminhados ao amanhecer, para o pessoal de inteligência. Sem espancamentos. Após documentos liberados, foram enviados  para suas casas, mas muitos estão detidos até hoje.

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